[AUTORAL] – Hipótese do marcador somático

Qual é a relação, se há alguma, entre as nossas emoções e o nosso comportamento moral? É isso que entenderemos melhor neste post.

António Damásio é um médico e neurologista que se interessa sobre a relação entre danos em determinadas áreas cerebrais e o comportamento humano. Ou seja, como esses danos estão correlacionados a um comportamento ou à falta de um comportamento.

Em seu livro O erro de Descartes, o neurologista expõe o caso clássico de Phineas Gage (ocorreu em 1848). Gage teve o seu córtex pré-frontal ventromedial (que é a área do cérebro de vocês que fica atrás da testa) perfurado por uma viga de metal, no momento em que ele trabalhava na construção de uma ferrovia. Incrivelmente, Gage sobreviveu.

O que é ainda mais incrível é que o seu comportamento moral foi, para sempre, alterado. Gage não era mais Gage. Um homem outrora cortês, tornou-se rude, falava coisas abjetas, era incapaz de cumprir eficazmente os seus deveres e chegar no horário combinado em seus empregos.

Agora que entra a parte mais interessante do post, então coloque novamente os seus recursos atencionais aqui. Acontece que, se um cérebro sofrer um considerável dano em seu córtex pré-frontal ventromedial, a capacidade emocional do indivíduo estará comprometida. Foi exatamente isso que aconteceu com Gage, e é o que acontece com pessoas que sofrem danos ou nascem com a parte ventromedial do córtex pré-frontal comprometida.

Levando isso em consideração, a emoção tem, portanto, um papel importantíssimo no processo de decisão social. Caso contrário, o comportamento social de Gage e dos pacientes que Damásio expõe em seu livro manteria-se inalterado. Apesar de conseguirem utilizar normalmente aquilo que consagrou-se como “razão”, ela, sozinha, não conseguiu regular o comportamento social desses indivíduos.

A hipótese do marcador somático, em resumo, é a de que as nossas emoções integram o nosso raciocínio, em vez de apenas o atrapalhar, como  supõe-se (“não deixe que as suas emoções o atrapalhe”).

Por fim, pode-se dizer que há uma forte ligação entre a razão e as nossas emoções, de modo que, caso um desses dois polos deixasse de funcionar apropriadamente, aconteceria o mesmo com o comportamento social do indivíduo.

REFERÊNCIAS

Damásio, António. O erro de Descartes. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Texto escrito por: Silva, I.
Lattes do autor: https://lattes.cnpq.br/4005176584329851

[AUTORAL] – Psicologia Evolutiva e Beleza: você vê aquilo que a sua consciência quer que você veja

O debate sobre o que é, afinal, o Belo, perdura há pelo menos 2500 anos. Porém, não é a partir desse extenso debate que a psicologia evolutiva nos entrega novos insights, é a partir do pano de fundo oferecido pela teoria da evolução, que foi apresentada por Chales Darwin em 1859.

No senso comum, ainda mais a partir dos movimentos hippies da década de 1960, instaurou-se uma visão de que a beleza é relativa, o que significa que cada indivíduo poderia classificar, ao seu bel prazer, aquilo que considera como sendo algo belo. Essa visão está um tanto quanto correta. Mas como assim, a beleza é relativa? Sim e não. Na verdade, ela não está no outro organismo, na outra pessoa, mas sim na mente do indivíduo que a enxerga. Por exemplo, por mais bonito que você ache o quadro da Mona Lisa, o seu cachorro não está nem aí para ele. Provavelmente, se o seu cachorro fosse filhote, caso você desse o quadro para ele admirar a beleza da Mona Lisa, ele o trucidaria usando-o como fonte de distração.

Indo do raso para fundo da psicologia humana, ignorando o que os hippies e o seu cachorro têm a dizer,  a fim de dar conta desse conceito complexo, poderíamos dizer que a beleza é, na verdade, uma percepção de medida de sucesso reprodutivo em oferta, tal qual a recompensa por comer uma maçã ou se relacionar sexualmente com outro indivíduo. Mas o que quero dizer com isso? Imagine um mundo em que tudo que você vê reporta a pontos de aptidão (medida de sucesso reprodutivo). Em um mundo como esse, a beleza desempenharia o importante papel  que é nos informar os pontos de aptidão dos potenciais parceiros sexuais. Ela não nos informa uma realidade objetiva que é bela, em vez disso, ela nos informa acerca dos pontos de aptidão dos outros organismos.  “Antroprologizando” e “biologizando” a questão, nua e cruamente ela é um artifício que se desenvolveu ao longo dos milhares de anos de sobrevivência e reprodução dos nossos ancestrais porque conseguia nos orientar, com certo grau de assertividade, acerca dos pontos de aptidão dos machos e fêmeas que apareciam no ambiente.

A experiência da beleza foi tão enraizada na nossa psicologia que se tornou uma experiência inconsciente. (Tal experiência que pode ser vista funcionando a todo vapor em crianças de dois anos de idade!). As etapas funcionais da beleza foram descritas genialmente pelo psicólogo evolutivo Donald D. Hoffman: “toda vez que você encontra uma pessoa, os seus sentidos automaticamente inspecionam dezenas, talvez centenas de pistas, todas em uma fração de segundos. Essas pistas, meticulosamente selecionadas ao longo da nossa história evolutiva, te informam sobre uma coisa: potencial reprodutivo. Isso é, essa pessoa poderia ter, e criar, proles saudáveis”?

O que Hoffman quer dizer com isso é o seguinte: a beleza é o resultado de inferências inconscientes dentro daquele que a enxerga; inferências essas que foram moduladas para enxergar os pontos de aptidão de bons parceiros sexuais em potencial.

Para finalizar, “geneticizando” a questão, tudo isso se trata de replicabilidade genética. Os genes que conferiam as melhores pistas acerca dos pontos de aptidão aos seus organismos, assim como os faziam enxergar as melhores pistas nos outros, foram os que mais se replicaram. E aqui estamos nós: uma espécie que enxerga “objetivamente” a beleza, mas que, no entanto, é completamente enganada sobre a veracidade daquilo que vê. Resumindo tudo, a beleza, tal como nossas mãos e pernas, é dependente do organismo. Ela não é objetiva no sentido empregado pelo senso comum, nem relativa no sentido empregado pelos movimentos hippies da década de 1960. De fato, a sua mente e o outro organismo informam o belo, mas o belo que eles evoluíram para informar e enxergar. Ou seja, a beleza não é relativa e nem objetiva, ela é um fenômeno complexo que merece o seu devido tratamento especial.

Claro, um debate tão complexo como esse não pode ser resolvido nem por um décimo aqui no meu texto. Porém, pode ser discutido.

Referências:

Hoffman, Donald D. The case against reality: how evolution hid the truth from our eyes. Great Britain: Penguin Books, 2020.

Texto escrito por: Silva, I.
Lattes do autor: https://lattes.cnpq.br/4005176584329851

[AUTORAL] – O que é a Psicologia Evolutiva?

Se eu pudesse resumir o que é Psicologia Evolutiva em um parágrafo,  a resumiria assim: ela é simplesmente uma psicologia que é informada pelo conhecimento adicional da biologia evolutiva. Com isso, os psicólogos evolutivos esperam entender a estrutura da mente humana através dos seus criadores, que são os processos evolutivos.

Os psicólogos evolutivos Leda Cosmides e John Tooby argumentam que, se quisermos entender como a cultura modela o comportamento humano, precisamos, antes, entender a arquitetura psicológica que se desenvolveu a partir dos processos evolutivos. É uma tarefa de extrema dificuldade entender o produto (cultura) sem entender melhor o seu produtor (que é a nossa psicologia evoluída). Isso pode ser visto diante das divergentes posições que diferentes intelectuais das ciências sociais tomam como verdadeiras. Um exemplo clássico é a divergência entre os que acreditam em uma possível verdade expressa no corpo teórico de Max Weber e os que acreditam no corpo teórico de Karl Marx.

Porém, vale ressaltar que a própria cultura tem o poder de modelar as estruturas do nosso cérebro e, consequentemente, as nossas experiências de consciência. Isso foi muito bem exposto pelo antropólogo e psicólogo Joseph Henrich, na obra The WEIRDest people in the world.

O empreendimento da psicologia evolutiva nasceu de uma tentativa de integralização conceitual, que visa conectar os diferentes campos da ciências humanas a partir do manto da teoria da evolução, usando como pano de fundo a psicologia humana. Isso porque não haveria uma maneira melhor de entender os comportamentos humanos do que a partir daquilo que o produz, que é a mente. Cosmides e Tooby denominaram essa integralização conceitual como Modelo de Causação Integrada (MCI). Esse modelo conecta as ciências humanas com o resto das ciências reconhecendo que:

“(1) A mente humana consiste em um conjunto de mecanismos evoluídos de processamento de informações instanciado no sistema nervoso humano.

(2) Esses mecanismos, tal como os programas desenvolvimentais que os produziram, são adaptações produzidas pela seleção natural durante o tempo em que os nossos ancestrais eram caçadores-coletores.

(3) Muitos desses mecanismos são funcionalmente especializados para produzir problemas adaptativos particulares, como a seleção de parceiros sexuais, a aquisição de linguagem, as relações familiares e o problema da cooperação.

(4) Para ser funcionalmente especializados, muitos desses mecanismos precisam ser ricamente estruturados de um modo específico.

(5) O processamento de informações de conteúdo específico gera conteúdos particulares na cultura humana, incluindo certos comportamentos, artefatos e representações linguisticamente transmitidas.

(6) O conteúdo cultural gerado por esses ou outros mecanismos estão então presentes para serem adotados ou modificados por mecanismos psicológicos situados em outros membros da população.

(7) Isso configura os processos históricos a nível populacional e epismemológico.

(8) E esses processos são localizados em contextos e ambientes intergrupais, ecológicos, econômicos e demográficos.”

Referências bibliográficas:

Barkow, J; Cosmides; L; Tooby, J. The Adapted Mind. New York: Oxford University Press, 1992.

Henrich, Joseph. The WEIRDest people in the world. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2020.

Texto escrito por: Silva, I.
Lattes do autor: https://lattes.cnpq.br/4005176584329851

Pesquisadores evolucionistas temem que tendências políticas estejam impedindo o progresso na psicologia evolutiva, de acordo com novo estudo [PsyPost]

“Pesquisadores evolucionistas temem que tendências políticas estejam impedindo o progresso na psicologia evolutiva, de acordo com novo estudo

por Beth Ellwood
31 de maio de 2022
em Psicologia Social

https://www.psypost.org/2022/05/evolutionary-scholars-worry-political-trends-are-impeding-progress-in-evolutionary-psychology-according-to-new-study-63247

Uma pesquisa sistemática entre pesquisadores evolucionistas sugere uma ausência de progresso na disciplina da ciência evolutiva humana. De acordo com as respostas dos participantes, muitos pesquisadores estão preocupados que as tendências políticas na academia estejam contribuindo para o aumento da hostilidade em relação ao campo. Os resultados foram publicados no Journal of the Evolutionary Studies Consortium.

O campo da pesquisa evolutiva humana encontrou resistência tanto de acadêmicos quanto de pessoas comuns. Na América, cerca de metade da população não acredita que os humanos descendem de espécies anteriores. E embora a maioria dos estudiosos aceite a teoria evolutiva, muitos são resistentes a aceitar explicações evolutivas para o comportamento social humano.

Em 2010, uma equipe de pesquisadores, incluindo Daniel J. Kruger, conduziu um estudo para explorar sistematicamente o estado da pesquisa evolutiva humana avaliando uma grande amostra de estudiosos evolucionistas. As descobertas gerais sugeriram que os estudiosos estavam, de modo geral, otimistas de que o campo ganharia aceitação nos próximos anos. Mais recentemente, Kruger e sua equipe realizaram uma pesquisa de acompanhamento para avaliar se essas previsões esperançosas seriam cumpridas.

Essa segunda rodada, realizada dez anos depois, em 2020, pesquisou novamente uma amostra de estudiosos evolucionistas e fez perguntas sobre seus desafios acadêmicos e de carreira. A amostra foi recrutada solicitando membros de várias sociedades de ciências evolutivas humanas, bem como participantes que completaram a pesquisa de 2010. Os participantes incluíram professores e alunos que usam perspectivas evolutivas para estudar a psicologia e o comportamento humano.

“É importante avaliar e entender o estado geral e o progresso dos campos científicos”, disse Kruger ao PsyPost. “Escrevemos vários artigos documentando as experiências de estudiosos que usam uma estrutura evolutiva para entender a psicologia e o comportamento humano. A evolução por seleção natural e sexual é a teoria mais poderosa nas ciências da vida e a única estrutura teórica que pode unir campos díspares”.

“No entanto, desde a publicação de Darwin em 1859 de ‘A Origem das Espécies’, tem havido resistência à ideia de que as forças evolutivas moldaram nossa própria espécie. As abordagens evolucionárias da psicologia foram criticadas, embora muitas críticas sejam baseadas em mal-entendidos”.

A amostra final foi composta por 579 pesquisadores entre 20 e 89 anos, sendo 61% homens, 38,3% mulheres e 0,7% que indicaram outro gênero. A maioria dos entrevistados estava na América do Norte (59,7%), enquanto 28,6% estavam na Europa, 4,6% na América do Sul, 4,3% na Ásia e 2,8% na Oceania. Os três principais campos de estudo listados foram Psicologia (57,9%), Antropologia (18%) e Biologia (6%).

No geral, os estudiosos relataram preocupações semelhantes sobre a pesquisa evolutiva em 2020, assim como na década anterior. No entanto, houve algumas evidências sugerindo que os estudiosos estavam um pouco menos otimistas em 2020. Os entrevistados relataram avanços menores na proeminência da pesquisa evolutiva na última década e também previram avanços menores nos próximos dez anos.

Muitos estudiosos observaram que eles eram os únicos estudiosos evolucionistas em seu departamento e, quando perguntados sobre as opiniões de seu departamento sobre psicologia evolutiva, as respostas foram variadas. Em comentários abertos, alguns participantes relataram que seu departamento ou campo era muito favorável às perspectivas evolucionárias, enquanto outros notaram que hostilidade, falta de compreensão ou atitudes depreciativas eram generalizadas. Em muitos casos, os entrevistados aludiram a um aumento no politicamente correto e questões de justiça social como um fator relacionado a essa hostilidade.

Os entrevistados também foram questionados sobre questões relacionadas à sua carreira ou campo. “Vários entrevistados observaram que a academia mudou politicamente para a esquerda na última década, especialmente nos últimos anos nos EUA”, escreveram Kruger e seus colegas em seu estudo. “Essa mudança cultural foi vista como uma crescente hostilidade aos modelos evolucionários, tanto por causa de implicações genuínas (por exemplo, os humanos não são lousas em branco intercambiáveis) quanto por percepções errôneas contínuas (ou seja, modelos evolucionários são inerentemente racistas, sexistas, transfóbicos etc.).”

De acordo com suas descobertas, os autores do estudo sugerem que o campo não avançou no tempo com o otimismo relatado pelos estudiosos em 2010, mas parece ter se estabilizado. Eles sugerem que os estudiosos evolucionistas podem precisar fazer mais para promover ativamente abordagens evolucionárias e resolver equívocos relacionados à sua disciplina. Notavelmente, a amostra de 2020 foi composta por um número maior de professores e um número menor de alunos em relação à amostra de 2010, o que pode ter enviesado os resultados para as percepções dos professores.

“Pesquisadores que adotam abordagens evolucionárias para entender a psicologia e o comportamento esperam ver um progresso contínuo na integração da teoria evolutiva nas ciências humanas, por causa do poder da teoria e da natureza cumulativa das evidências”, disse Kruger. “Infelizmente, essa abordagem parece ter se estabilizado por enquanto, já que as tendências gerais na academia (incluindo um aumento na politização da ciência) mudaram o interesse para outras áreas ou aspectos.”

“Pode ser necessário que as sociedades evolutivas e os estudiosos tenham um papel mais ativo na promoção de perspectivas evolutivas tanto na academia quanto no discurso público”, acrescentou. “Mudar a dinâmica política pode exigir maiores esforços para dissipar equívocos sobre a teoria evolutiva e sua aplicação aos humanos. As soluções para os desafios atuais da humanidade serão mais eficazes se forem informadas por uma compreensão precisa da humanidade, que, claro, teria a teoria evolucionária como base. Avaliações futuras revelarão se a pesquisa evolutiva em humanos é marginalizada na academia ou experimenta um ressurgimento”.

O estudo, “The 2020 Survey of Evolutionary Scholars on the State of Human Evolutionary Science”, é de autoria de Daniel J. Kruger, Maryanne L. Fisher, Steven M. Platek e Catherine Salmon.

https://evostudies.org/wp-content/uploads/2022/03/Kruger-et-al.-2022-Vol9Iss1.pdf

“Evolutionary Mismatch, Emotional Homeostasis, and Emotional Addiction: A Unifying Model of Psychological Dysfunction” by John Montgomery [Evolutionary Psychological Science, 2018]

“Evolutionary Mismatch, Emotional Homeostasis, and Emotional Addiction: A Unifying Model of Psychological Dysfunction

John Montgomery

Evolutionary Psychological Science, volume 4, pp. 428–442 (2018)

Artigo Teórico
Publicado: 02 de maio de 2018

https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs40806-018-0153-9

Resumo

Este artigo propõe uma estrutura evolutiva unificadora para a compreensão da gênese de uma ampla gama de transtornos psicológicos. Os transtornos psicológicos como um todo parecem se desenvolver em frequências significativas apenas sob condições de “incompatibilidade evolutiva”, nas quais pessoas ou animais vivem em ambientes, como cidades modernas ou culturas industrializadas em geral, para os quais não são evolutivamente ou biologicamente adaptados. Ambientes evolutivamente incompatíveis parecem frequentemente causar interrupções nos estados de unidade que evoluíram para manter a homeostase. Com base em várias linhas de evidência, vou sugerir que estados emocionais dolorosos e angustiantes podem fornecer recompensas bioquímicas inconscientes no cérebro e, em condições ambientais incompatíveis, podem se tornar reforçados, criando “vícios emocionais” compulsivos e inconscientes. Esse fenômeno central pode ser a principal força motriz da grande maioria dos distúrbios psicológicos. Sugere-se que o impulso ou força desadaptativa que os vícios emocionais parecem gerar – mencionados aqui como “impulso não-homeostático” ou “impulso viciante” – de modo disfuncional, desnecessário e repetidamente tiraram as pessoas da homeostase, criando desequilíbrios sistêmicos que podem resultar em uma variedade de disfunções psicológicas.

Os drives homeostáticos e não-homeostáticos

Talvez o princípio mais fundamental na biologia moderna seja que todas as coisas vivas se esforçam para alcançar e manter estados de homeostase, ou equilíbrio, em todos os níveis (Craig 2003; Damasio 1999; Marder e Tang 2010). Na verdade, a capacidade de renovar os constituintes de uma célula viva ou coleção de células e de manter a homeostase fisiológica dentro dessas células para vários minerais, nutrientes, íons e outras biomoléculas é considerada uma capacidade fundamental para que a vida exista (Luisi 2006). Em organismos unicelulares, nutrientes e íons são mantidos em equilíbrio quase automaticamente por uma variedade de moléculas de transporte que estão incorporadas no envelope celular do organismo (Cook et al. 2014). Com a evolução de animais multicelulares mais complexos, no entanto, e particularmente com a evolução dos mamíferos, a expressão de estados emocionais específicos e as ações ou escolhas comportamentais que esses estados emocionais motivam tornaram-se um elemento central da manutenção da homeostase (Craig 2003; Panksepp e Biven 2012).

Quando os níveis de nutrientes na corrente sanguínea ou no corpo de um animal, por exemplo, caem abaixo de um limiar homeostático crítico, um desejo ou fome por comida, que pode ser visto como um verdadeiro estado emocional (Anderson e Adolphs 2014; Giuliani e Berkman 2015), é gerado no cérebro do animal (Fig. 1). Como a maioria dos estados emocionais, a fome é biologicamente projetada para motivar uma ação específica ou um conjunto de ações, que neste caso é a busca e consumo de alimentos adequados. O estado emocional de fome com efeito tira o animal da homeostase para a não-homeostase, mas esse estado não-homeostático é projetado especificamente para conduzir um comportamento – a busca e o consumo de comida – que trará o animal de volta à homeostase.

O estado emocional de repulsa, para dar outro exemplo, parece ter uma função homeostática semelhante. A repulsa parece ter evoluído como parte do “sistema psicológico imunológico”, que é biologicamente projetado para gerar evitação comportamental de patógenos potencialmente perigosos (Neuberg et al. 2011). Em humanos, o cheiro de carne podre, por exemplo, evocará uma sensação de repulsa que fará com que os olhos, narinas e boca se fechem parcialmente de forma automática e inconsciente para minimizar a exposição a parasitas potencialmente perigosos ou outros patógenos transportados pelo ar. A emoção de nojo também tende a motivar as pessoas a se afastarem com segurança da fonte de nojo, o que, mais uma vez, minimiza o risco de infecção. Todas as outras fontes comuns de uma reação de nojo físico, como a visão de feridas pustulentas, da mesma forma representam um risco de infecção por patógenos contra o qual a resposta emocional e fisiológica de nojo é projetada para fornecer proteção. Assim, a emoção de nojo novamente joga o sistema na não-homeostase com o objetivo de motivar o comportamento que é projetado para permitir um retorno à homeostase (Damásio, 1999).

Em humanos e outros animais superiores, um estado geral de homeostase parece ser expresso principalmente como um estado emocional de paz ou bem-estar, no qual não há ameaças iminentes percebidas (como uma ameaça de patógenos) e nenhuma necessidade urgente (como necessidade de comida). Estados emocionais homeostáticos, como sentimentos de paz ou bem-estar, normalmente parecem refletir estados subjacentes de homeostase fisiológica, enquanto estados emocionais não homeostáticos, como fome, nojo, ou medo, sinalizam ameaças potencialmente sérias à homeostase que devem ser abordadas de alguma forma. Assim, o aparente projeto biológico de todos os animais, incluindo humanos, é estar em homeostase sempre que possível, mas, quando a homeostase é ameaçada, desencadear estados emocionais não-homeostáticos apropriados projetados para motivar ações que tendem a permitir um retorno à homeostase (Fig. 2). Esta tendência de todo o organismo de manter estados de homeostase pode ser vista como um “impulso homeostático” global, representando uma força biológica fundamental e extremamente poderosa projetada para manter o organismo ou animal em homeostase sempre que possível (Montgomery e Ritchey 2008).”

“When we think about nature vs. nurture, we’re biased” [Medical Xpress/Northeastern University]

“When we think about nature vs. nurture, we’re biased

by Eva Botkin-Kowacki, Northeastern University

SEPTEMBER 21, 2021

https://medicalxpress.com/news/2021-09-nature-nurture-biased.html

“Quando pensamos sobre natureza vs. criação, estamos enviesados

“Esses preconceitos sobre a natureza humana surgem da própria natureza humana”, explica ela [Iris Berent, professora de psicologia da Universidade Northeastern]. “Portanto, é a própria maneira como nossas mentes funcionam que nos obscurece como nossas mentes funcionam.”

Então, como nossas mentes funcionam?

Tem algo a ver com suposições que fazemos sobre o corpo e a mente, Berent escreve em um artigo publicado segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Temos a tendência de pensar em algo conectado ao corpo como algo com o qual os humanos nascem, ao passo que algo que associamos à mente é frequentemente considerado algo que é aprendido ou desenvolvido posteriormente.

(…)

O que Berent descobriu foi que, mesmo quando os indivíduos respondiam de maneira diferente uns dos outros, o raciocínio para as respostas era praticamente o mesmo. Eles conectaram as coisas que pensaram ser inatas aos humanos ao corpo físico, enquanto disseram que as coisas que foram aprendidas vieram da mente.”

“The mind does not exist” – Joe Goughis [Aeon]

“A mente não existe

Os termos ‘mente’ e ‘mental’ são confusos, prejudiciais e perturbadores. Devemos nos livrar deles

30 de agosto de 2021

Joe Gough é um estudante de PhD em filosofia na Universidade de Sussex, no Reino Unido.

https://aeon.co/essays/why-theres-no-such-thing-as-the-mind-and-nothing-is-mental

(…)

Você tem que pensar e pensar: eles estão entre os conceitos mais polissêmicos que existem. Advogados falam de capacidade “mental”, psiquiatras falam de “doença mental”, cientistas cognitivos afirmam estudar “a mente”, assim como psicólogos e alguns filósofos; muitas pessoas falam de um “problema mente-corpo”, e muitas pessoas se perguntam se está tudo bem comer animais, dependendo se eles “têm uma mente”. Estes são apenas alguns de muitos outros exemplos. Em cada caso, mente e mental significam algo diferente: às vezes sutilmente diferente, às vezes não tão sutilmente.

Em tais domínios de alto risco, é vital ser claro. Muitas pessoas estão prontas para acreditar que os problemas dos ‘doentes mentais’ estão ‘tudo nas suas cabeças’. Nunca ouvi ninguém duvidar de que um problema cardíaco pode levar a problemas fora do coração, mas regularmente tenho que explicar a amigos e familiares que doenças “mentais” podem ter efeitos fisiológicos fora “da mente”. Por que as pessoas costumam achar um mais misterioso e aparentemente surpreendente do que o outro? É porque muitas das pontes construídas pela mente e pelo mental são pontes que é hora de queimar, de uma vez por todas.

(…)

A percepção é geralmente considerada mental, uma parte da mente – ainda, embora a medicina considere a surdez e a cegueira como distúrbios de percepção, ela não as classifica como doenças mentais. Por quê? A resposta é óbvia: porque os psiquiatras geralmente não são os melhores médicos para tratar a surdez e a cegueira (se eles precisarem de tratamento, o que muitos surdos em particular rejeitariam).

(…)

O problema principal é que a mente e o mental vêm com associações que são totalmente inadequadas ao caracterizar uma disciplina médica – “mental” pode, afinal, ser contrastado com “real”, “biológico” e “físico”.

(…)

Existem também maneiras de mapear a imunidade em termos cognitivos. Nas décadas de 1960 e 1970, o trabalho do psicólogo norte-americano Robert Ader revelou uma característica surpreendente do sistema imunológico. Ele treinou ratos para evitar um adoçante inofensivo, administrando-o junto com uma substância química indutora de doenças chamada ciclofosfamida. Ao testar se o treinamento havia funcionado, administrando apenas o adoçante, os ratos começaram a morrer. Quanto mais adoçante, mais rápido eles morreram. Isso era um mistério. Descobriu-se que a ciclofosfamida é um “imunossupressor”, uma substância química que desativa o sistema imunológico. O sistema imunológico havia “aprendido” a desligar em resposta ao adoçante sozinho, e isso deixou os ratos vulneráveis ​​a patógenos normalmente inofensivos em seu ambiente, que os mataram. Em outras palavras, Ader descobriu que o sistema imunológico é receptivo ao condicionamento pavloviano clássico.

Devemos considerar o sistema imunológico como “mental” porque é psicológico e cognitivo?

Isso levou à criação da ‘psiconeuroimunologia’, uma área que envolve, entre outras coisas, psicólogos que estudam o sistema imunológico. Pesquisas posteriores descobriram muitos outros fatos interessantes sobre a “fiação” e os sinais que ligam o sistema imunológico e o cérebro. O sistema imunológico responde de maneiras complexas ao estresse e ao trauma – um desequilíbrio no sistema imunológico está associado a várias doenças psiquiátricas relacionadas ao trauma, como transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de personalidade limítrofe (ambos frequentemente ligados a traumas). O sistema imunológico também desempenha papéis importantes no controle do comportamento social. Por exemplo, alguns cientistas acreditam que a depressão às vezes pode ser um efeito colateral do sistema imunológico, reduzindo sua motivação social para minimizar o risco de propagação de doenças; a ideia é que seu sistema imunológico foi acionado para possuir uma ‘crença’ errônea de que você é infeccioso.

Seguir a interpretação da ciência cognitiva e da psicologia como estudar “a mente” cria uma impressão enganosa do que essas disciplinas estão tramando e levanta questões potencialmente inúteis, como se devemos considerar o sistema imunológico e suas capacidades como “mentais” porque é psicológico e cognitivo. Mais uma vez, as pontes construídas pela mente e pela mentalidade revelaram-se inúteis. A psiconeuroimunologia tem tido dificuldade em obter aceitação generalizada, especialmente entre os imunologistas. Em grande parte, isso ocorre porque é amplamente considerado como uma forma de “medicina mente-corpo”, um termo que se aplica tanto a chicanas e autoajuda exagerada quanto a pesquisas médicas legítimas. As pontes construídas entre uma espécie de holismo desleixado, arte da trapaça e psiconeuroimunologia devem muito à mente e ao mental, e pouco fizeram para ajudar as disciplinas às quais supostamente servem.” [Google Tradutor]

“The behavioural immune system protects us, but at what cost?” by Manos Tsakirisis [Psyche]

“O sistema imunológico comportamental nos protege, mas a que custo?

Manos Tsakiris é professor de psicologia na Royal Holloway University of London. Sua pesquisa investiga os mecanismos neurais e cognitivos de autoconsciência e cognição social. Ele é o co-editor com Helena De Preester de The Interoceptive Mind: From Homeostasis to Awareness (2018).

https://psyche.co/ideas/the-behavioural-immune-system-protects-us-but-at-what-cost

16 DE AGOSTO DE 2021

Historicamente, grupos sociais dominantes usaram um medo imputado de contaminação para projetar repulsa a fim de sustentar medidas opressivas contra certos grupos. Também é verdade que o medo real da contaminação pode resultar em comportamentos sociais mais discriminatórios. Existem mecanismos biológicos, mas também psicológicos, que explicam em parte o surgimento de tais comportamentos. O contato com quaisquer patógenos ativa nosso sistema imunológico, que tentará montar uma defesa. Mas quando estivermos em contato com um germe, pode já ser tarde demais. Como consequência, os humanos desenvolveram o que o psicólogo Mark Schaller chamou de “sistema imunológico comportamental”: um conjunto de reações desencadeadas por nossas percepções sobre a presença de patógenos infecciosos no ambiente, em vez do contato direto. O sistema imunológico comportamental mobiliza respostas cognitivas e emocionais, como medo, ansiedade e repulsa, para evitar patógenos. Dados os riscos associados ao COVID-19, nosso sistema imunológico comportamental está justificadamente em overdrive – e, no contexto da pandemia, uma maior sensibilidade ao nojo pode ter trazido vários benefícios funcionais, como o incentivo à higiene das mãos.

O sistema imunológico comportamental pode ser explorado para diferentes propósitos – e, uma vez que está ativo, pode transbordar para novos domínios além daquele contra o qual deveria nos proteger. Por exemplo, enfatizar os riscos de infecção faz com que as pessoas adotem atitudes mais conformistas e conservadoras; quando as pessoas recebiam dicas para lembrá-las da limpeza física em um ambiente público, elas professavam opiniões politicamente mais conservadoras do que as pessoas que não receberam esses avisos. Outro estudo mostrou que preparar as pessoas com informações relacionadas a doenças as fazia se mover de maneiras mais evitativas socialmente. Além disso, as pessoas que exibem níveis maiores de repulsa em resposta a indícios de patógenos são mais propensas a endossar atitudes xenófobas, mas também expor as pessoas a informações de alta prevalência de doenças fez com que expressassem atitudes menos positivas em relação aos imigrantes estrangeiros. E, além do laboratório, estudos populacionais em larga escala têm mostrado que a presença de diferentes doenças afeta o grau de etnocentrismo ou a favor do autoritarismo.

Esses efeitos já foram documentados durante a pandemia de COVID-19. Como esperado, as pessoas com uma maior sensibilidade à repulsa a patógenos eram mais propensas a se envolver em comportamentos preventivos de saúde, como distanciamento social, lavar as mãos, limpar e desinfetar. Mas, ao mesmo tempo, um estudo com base nos Estados Unidos mostrou que pessoas que estavam especialmente preocupadas em serem infectadas também exibiam maior xenofobia. Descobertas semelhantes foram relatadas na Polônia em relação às atitudes em relação a gays ou mulheres cujo comportamento não obedece aos papéis tradicionais.

(…)

As maneiras corporificadas de nos relacionarmos e a estrutura do mundo como pensamos uns sobre os outros e sobre o mundo, como George Lakoff e Mark Johnson argumentaram em seu livro seminal Metaphors We Live By (2ª ed, 2003).

(…)

Em um mundo onde estamos menos dispostos a tocar os outros, iremos lentamente nos tornar mais xenófobos, discriminatórios e fanáticos, apesar de nossas melhores intenções? Tocar e ser tocado é um impulso biológico que compartilhamos com muitos outros animais. É também a maneira mais básica de se conectar e sentir as alegrias e tristezas, medos e desejos uns dos outros. Por simplesmente não nos tocarmos, também perdemos o contato uns com os outros. Estar ciente das maneiras sutis pelas quais a aversão ao toque, a repulsa e a discriminação se alimentam deve nos fazer redobrar nossos esforços para estender a mão, tocar os outros e nos permitir ser tocados em troca.”

***

“The behavioural immune system protects us, but at what cost?

Manos Tsakirisis professor of psychology at Royal Holloway University of London. His research investigates the neural and cognitive mechanisms of self-awareness and social cognition. He is the co-editor with Helena De Preester of The Interoceptive Mind: From Homeostasis to Awareness (2018).

https://psyche.co/ideas/the-behavioural-immune-system-protects-us-but-at-what-cost

16 AUGUST 2021

Historically, ruling social groups have used an imputed fear of contamination to project disgust in order to sustain oppressive measures against certain groups. It’s also the case that a real fear of contamination can result in more discriminatory social behaviours. There are biological but also psychological mechanisms that partly explain the emergence of such behaviours. Contact with any pathogens activates our immune system, which will try to mount a defence. But by the time we’re in touch with a germ, it might already be too late. As a consequence, humans have evolved what the psychologist Mark Schaller has called a ‘behavioural immune system’: a set of reactions triggered by our perceptions about the presence of infectious pathogens in the environment, rather than by direct contact. The behavioural immune system mobilises cognitive and emotional responses such as fear, anxiety and disgust to avoid pathogens. Given the risks associated with COVID-19, our behavioural immune system has justifiably been in overdrive – and, in the context of the pandemic, greater sensitivity to disgust might have had several functional benefits, such as encouraging hand-related hygiene.

The behavioural immune system can be exploited for different purposes – and, once it’s active, it can spill over into new domains beyond the one it’s meant to be protecting us against. For example, emphasising the risks of infection makes people adopt more conformist and conservative attitudes; when people were given cues to remind them of physical cleansing in a public setting, they professed more politically conservative opinions than individuals who were not given such reminders. Another study showed that priming people with disease-related information made them move in more socially avoidant ways. In addition, people who display greater levels of disgust in response to pathogen cues are more likely to endorse xenophobic attitudes, but also exposing people to information of high disease-salience made them express less positive attitudes toward foreign immigrants. And beyond the lab, large-scale population-level studies have shown that the presence of different diseases affects the extent to which people are ethnocentric or in favour of authoritarianism.

Such effects have already been documented during the COVID-19 pandemic. As expected, people with a higher pathogen disgust-sensitivity were more likely to engage in preventative health behaviours, such as social distancing, handwashing, cleaning and disinfecting. But at the same time, a US-based study showed that people who were especially worried about becoming infected also displayed greater xenophobia. Similar findings were reported in Poland in relation to attitudes towards gay people or women whose behaviour does not comply with traditional roles.

(…)

The embodied ways we relate to one another and the world structure how we think about each other and the world, as George Lakoff and Mark Johnson have argued in their seminal book Metaphors We Live By (2nd ed, 2003).

(…)

In a world where we are less willing to touch others, will we slowly become more xenophobic, discriminatory and bigoted, despite our best intentions? Touching and being touched is a biological drive we share with many other animals. It’s also the most basic way of connecting to and feeling each other’s joys and sorrows, fears and desires. By simply not touching each other, we also lose touch with one other. Being aware of the subtle ways in which touch aversion, disgust and discrimination feed off each other should make us redouble our efforts to reach out, touch others, and let ourselves be touched in return.”

“Bias Is a Big Problem. But So Is ‘Noise.’” By Daniel Kahneman, Olivier Sibony and Cass R. Sunstein [The New York Times]

“Bias Is a Big Problem. But So Is ‘Noise.’

May 15, 2021

By Daniel Kahneman, Olivier Sibony and Cass R. Sunstein

https://www.nytimes.com/2021/05/15/opinion/noise-bias-kahneman.html

Daniel Kahneman is an emeritus professor of psychology at Princeton and a recipient of the 2002 Nobel Memorial Prize in Economic Sciences.

Olivier Sibony is a professor of strategy at the HEC Paris business school.

Cass R. Sunstein is a law professor at Harvard. They are the authors of the forthcoming book “Noise: A Flaw in Human Judgment,” on which this essay is based.

(…)

Society has devoted a lot of attention to the problem of bias — and rightly so. But when it comes to mistaken judgments and unfortunate decisions, there is another type of error that attracts far less attention: noise.

To see the difference between bias and noise, consider your bathroom scale. If on average the readings it gives are too high (or too low), the scale is biased. If it shows different readings when you step on it several times in quick succession, the scale is noisy. (Cheap scales are likely to be both biased and noisy.) While bias is the average of errors, noise is their variability.

Although it is often ignored, noise is a large source of malfunction in society. In a 1981 study, for example, 208 federal judges were asked to determine the appropriate sentences for the same 16 cases. The cases were described by the characteristics of the offense (robbery or fraud, violent or not) and of the defendant (young or old, repeat or first-time offender, accomplice or principal). You might have expected judges to agree closely about such vignettes, which were stripped of distracting details and contained only relevant information.

But the judges did not agree. The average difference between the sentences that two randomly chosen judges gave for the same crime was more than 3.5 years. Considering that the mean sentence was seven years, that was a disconcerting amount of noise.

Noise in real courtrooms is surely only worse, as actual cases are more complex and difficult to judge than stylized vignettes. It is hard to escape the conclusion that sentencing is in part a lottery, because the punishment can vary by many years depending on which judge is assigned to the case and on the judge’s state of mind on that day. The judicial system is unacceptably noisy.

(…)

Where does noise come from? There is much evidence that irrelevant circumstances can affect judgments. In the case of criminal sentencing, for instance, a judge’s mood, fatigue and even the weather can all have modest but detectable effects on judicial decisions.

Another source of noise is that people can have different general tendencies. Judges often vary in the severity of the sentences they mete out: There are “hanging” judges and lenient ones.

A third source of noise is less intuitive, although it is usually the largest: People can have not only different general tendencies (say, whether they are harsh or lenient) but also different patterns of assessment (say, which types of cases they believe merit being harsh or lenient about). Underwriters differ in their views of what is risky, and doctors in their views of which ailments require treatment. We celebrate the uniqueness of individuals, but we tend to forget that, when we expect consistency, uniqueness becomes a liability.

(…)

No noise-reduction techniques will be deployed, however, if we do not first recognize the existence of noise. Noise is too often neglected. But it is a serious issue that results in frequent error and rampant injustice. Organizations and institutions, public and private, will make better decisions if they take noise seriously.”

“Why my theory that humans can only maintain 150 friendships has withstood 30 years of scrutiny” By Robin Dunbar [The Conversation/Phys.org]

“Why my theory that humans can only maintain 150 friendships has withstood 30 years of scrutiny

by Robin Dunbar, The Conversation

https://phys.org/news/2021-05-theory-humans-friendships-withstood-years.html

(…)

Despite the growing evidence, the same critiques reappear with suspiciously religious zeal. The most common claim is that human behavior is culturally determined and so cannot be subject to the same biological rules as primate behavior. Another variant on this claim is that networking platforms such as LinkedIn have made it possible for us to maintain more extensive social networks.

Most of these claims fail to recognize that Dunbar’s number applies to quality relationships, not to acquaintances—which account for the more casual outer layers of our social networks, beyond our 150 meaningful friendships.

However, a more recent challenge by researchers at Stockholm University claims to have finally debunked Dunbar’s number by showing that the social brain equation underpredicts human social group sizes. Alas, the study used flawed statistical methods and fails to account for the body of evidence we now have to support Dunbar’s number.

(…)

Evidence from neuroscience

We’ve also filled in many of the behavioral and neurocognitive details that underlie the social brain hypothesis. More than a dozen neuroimaging studies have shown that, in both humans and monkeys, the size of an individual’s social network correlates with the size of their default mode neural network—the large brain circuit that manages social relationships.

Similarly, the touch-based bonding mechanism that holds these groups together—a mechanism that exploits the brain’s endorphin system—is common to both humans and primates. This is why hugging and physical touch is so important in our relationships.”

“Extraverts and Conservatives are More Likely to Get COVID” By Glenn Geher [Darwin’s Subterranean World]

“Extraverts and Conservatives are More Likely to Get COVID

The pandemic is largely the result of our evolved social psychology.

Glenn Geher
Darwin’s Subterranean World

Posted May 15, 2021

https://www.psychologytoday.com/us/blog/darwins-subterranean-world/202105/extraverts-and-conservatives-are-more-likely-get-covid
 
***

Personality Correlates of COVID-19 Infection Proclivity: Extraversion Kills

Vania Rolona, Glenn Geherb, Jennifer Linkb, Alexander Mackielb

Personality and Individual Differences

Available online 14 May 2021

https://doi.org/10.1016/j.paid.2021.110994

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“In light of the human behavioral element of COVID, my research team (a subset of The New Paltz Evolutionary Psychology Lab ) conducted a study to help us better understand the behavioral factors that underlie the spread of this virus—a virus that has turned all of our worlds upside down in so many ways.

Our study, recently published in the journal Personality and Individual Differences , explored various dispositional traits that might ultimately underlie whether people are prone toward getting the virus. The two main variables we focused on were extraversion and political conservatism.

(…)

An additional evolutionary perspective as to why and how extraversion might relate to COVID infection proclivity pertains the behavioral-system hijacking hypothesis (see Reiber et al., 2010). This idea, which is admittedly beyond the scope of our data, suggests that the coronavirus, which has known effects on the nervous system, may actually hijack behavior and temporarily make people relatively sociable so as to increase its spread across an increased number of human hosts.

(…)

Gollwitzer et al. (2020) found that people who live in relatively conservative areas (based on voting patterns) have been less likely to follow social-distancing guidelines relative to those living in areas where people are more likely to vote for liberal political candidates.

In light of this basic reasoning, we predicted that people who self-identify as conservative would be more likely to wind up becoming infected with the virus relative to those who self-identify as liberal.”

“Will science survive politics?” By Tom Chivers [UnHerd]

“Will science survive politics?

Whether something is politically convenient or not doesn’t affect whether it’s true

By Tom Chivers

May 11, 2021

https://unherd.com/2021/05/will-science-survive-politics/

(…)

No one really cares about creationists any more. Instead, the row is over whether Darwin – and his theory, or its implications – is racist, or sexist. And the people passionately defending him are often right-wingers, while his critics are on the Left.

The latest incarnation is a by-the-numbers fighting-the-culture-war piece in the Telegraph about a guide to “Applying a decolonial framework to teaching and research in ecology and evolution” published by some plant scientists in the University of Sheffield. In the guide, science lecturers are told to contextualise Darwin by making it clear how his worldview was shaped by colonialism and racism.

(…)

I also rather wish that the Sheffield academics had mentioned whether or not they think Darwin’s theory of natural selection is true or not. There’s an awful lot of talk about power imbalances, Eurocentric viewpoints, and the legacy of colonialism, and how science “cannot be objective and apolitical” – but regardless of whether or not Darwin was racist, was he right? Maybe that’s taken for granted.

(…)

The sad, forgotten creationists aside, most of us gladly accept that dragonflies’ wings and wombats’ toenails or whatever have evolved; that those ancestors which had versions of those organs more suited to their environment tended to have more offspring.

But when Darwin’s idea gets applied to behaviour, it becomes more controversial. The field of science that tries to do this is called sociobiology; it was controversial enough when it arose in the Seventies, pioneered by EO Wilson. It caused a furore – protesters poured water over Wilson’s head during a conference talk, chanting “Racist Wilson, you can’t hide, we charge you with genocide.” Wilson’s work was mainly about ants.

When Darwinian ideas are applied to the human brain, and human behaviour, it is called evolutionary psychology, and that is more controversial still.

Which, on the face of it, is strange. Evolutionary psychology is, at its heart, the idea that the brain (and therefore the mind, and human behaviour and psychology in general) is the product of evolution, just like every other animal organ. As Richard Dawkins wrote in the 2005 foreword to The Handbook of Evolutionary Psychology, that is so obviously true as to be almost not worth saying: “The central claim [of evolutionary psychology] is not an extraordinary one,” he wrote. “It amounts to the exceedingly modest claim that minds are on the same footing as bodies where Darwinian natural selection is concerned. Given that feet, livers, ears, wings, shells, eyes, crests, ligaments, antennae, hearts and feathers are shaped by natural selection … why on earth should the same not be true of brains[?]”

(…)

The idea that the mind is evolved goes back to Darwin himself, but it was Leda Cosmides and John Tooby, a wife-and-husband team of academics, who really developed the field in The Adapted Mind, a book of essays they edited in 1992.

(…)

Charles Darwin, the historical figure, is interesting to study, and it’s worth remembering that he was a man of his time. But Darwinism, the great insight of evolution by natural selection, is separate. It is true (or false) regardless of Darwin’s own views, and so are the many insights which have followed it. We can go back and forth over whether he was a racist, but the more interesting question is: was he right?”

“When Men Behave Badly” by Rob Henderson | A Review of When Men Behave Badly by David M. Buss

“When Men Behave Badly—A Review

written by Rob Henderson

Published on April 30, 2021

A review of When Men Behave Badly: The Hidden Roots of Sexual Deception, Harassment, and Assault by David M. Buss, Little, Brown Spark, 336 pages (April 2021)

https://quillette.com/2021/04/30/when-men-behave-badly-a-review/

(…)

These differences in reproductive biology have given rise to differences in sexual psychology that are comparable to sex differences in height, weight, and upper-body muscle mass. However, Buss is careful to note, such differences always carry the qualifier “on average.” Some women are taller than some men—but on average men are taller. Likewise, some women prefer to have more sex partners than some men—but on average men prefer more. These evolved differences are a key source of conflict.

One goal of the book is to highlight situations in which sexual conflict is diminished or amplified to prevent victimization and reduce harm.

(…)

Because of the increased risk women carry, they tend to be choosier about their partners. In contrast, men are less discerning. Studies of online dating, for example, find that most men find most women to be at least somewhat attractive. In contrast, women, on average, view 80 percent of men as below average in attractiveness. Another study found that on the dating app Tinder, men “liked” more than 60 percent of the female profiles they viewed, while women “liked” only 4.5 percent of male profiles.

(…)

Deception is often prevalent in the mating market. And deception involves an understanding of what the opposite sex desires. For instance, on dating websites, men exaggerate their income by roughly 20 percent on average and round up their height by about two inches. Similarly, women on dating websites round their weight down by about 15 pounds.

(…)

… as Buss stresses throughout the book, “adaptive” does not mean “morally good.” Often, cultures create moral norms to suppress certain behaviors that might be beneficial for the individual but bad for the community (e.g., stealing).

(…)

Throughout the book, Buss is careful to note that just because a behavior is adaptive or “natural” does not mean it is morally good or desirable. Diseases are “natural,” yet modern science has developed vaccines and medical procedures to eliminate these ailments. Likewise, people can implement personal, social, and legal instruments to curtail the darker facets of male psychology.

(…)

What kind of men? As mentioned above, Dark Triad traits predict sexual aggression. Perhaps more surprisingly, research indicates that high-status men are particularly likely to commit sexual assault. Buss writes, “men with money, status, popularity, and power are more likely to be sexual predators.” These results parallel the disconcerting finding that men who use sexual coercion have more partners than men who do not. A popular idea is that men who are desperate or deprived of chances for sex will be more likely to use coercion. This is known as the “mate deprivation hypothesis.” However, studies suggest the opposite is the case. Men who have more partners report higher levels of sexual aggression compared to men with fewer partners. Furthermore, men who predict that their future earnings will be high also report greater levels of sexual aggression relative to men who predict that their future earnings will be low.”

“Can the brain resist the group opinion?” [Medical Xpress]

“Can the brain resist the group opinion?

by National Research University Higher School of Economics

https://medicalxpress.com/news/2021-02-brain-resist-group-opinion.html

Scientists at HSE University have learned that disagreeing with the opinion of other people leaves a ‘trace’ in brain activity, which allows the brain to later adjust its opinion in favor of the majority-held point of view. The article was published in Scientific Reports.

We often change our beliefs under the influence of others. This social behavior is called conformity and explains various components of our behavior, from voting at elections to fashion trends among teenagers.

Brain research has recently been well informed about short-term effects of social influence on decision making. If our choice coincides with the point of view of the people who are important to us, this decision is reinforced in the brain’s pleasure centers involved in the larger dopaminergic system responsible for learning, motor activity and many other functions. Conversely, in instances of disagreement with others, the brain signals that a ‘mistake’ has been made and triggers conformity.

(…)

Thus, the opinions of others not only influence our behavior, but also cause long-term changes in the way our brains work. Apparently, the brain not only quickly adjusts to the opinions of others, but also begins to perceive information through the eyes of the majority in order to avoid social conflicts in the future.

“Our study shows the dramatic influence of others’s opinion on how we perceive information,” says HSE University Professor Vasily Klucharev, one of the authors of the study. “We live in social groups and automatically adjust our opinions to that of the majority, and the opinion of our peers can change the way our brain processes information for a relatively long time.”

“It was very interesting to use modern methods of neuro-mapping and to see traces of past conflicts with the opinion of the group in the brain’s activity,” adds Aleksei Gorin, a Ph.D. student at HSE University. “The brain absorbs the opinion of others like a sponge and adjusts its functions to the opinion of its social group.”

***

MEG signatures of long-term effects of agreement and disagreement with the majority

A. Gorin, V. Klucharev, A. Ossadtchi, I. Zubarev, V. Moiseeva & A. Shestakova

Scientific Reports volume 11, Article number: 3297 (2021)

Published: 08 February 2021

https://www.nature.com/articles/s41598-021-82670-x

Abstract

People often change their beliefs by succumbing to an opinion of others. Such changes are often referred to as effects of social influence. While some previous studies have focused on the reinforcement learning mechanisms of social influence or on its internalization, others have reported evidence of changes in sensory processing evoked by social influence of peer groups. In this study, we used magnetoencephalographic (MEG) source imaging to further investigate the long-term effects of agreement and disagreement with the peer group. The study was composed of two sessions. During the first session, participants rated the trustworthiness of faces and subsequently learned group rating of each face. In the first session, a neural marker of an immediate mismatch between individual and group opinions was found in the posterior cingulate cortex, an area involved in conflict-monitoring and reinforcement learning. To identify the neural correlates of the long-lasting effect of the group opinion, we analysed MEG activity while participants rated faces during the second session. We found MEG traces of past disagreement or agreement with the peers at the parietal cortices 230 ms after the face onset. The neural activity of the superior parietal lobule, intraparietal sulcus, and precuneus was significantly stronger when the participant’s rating had previously differed from the ratings of the peers. The early MEG correlates of disagreement with the majority were followed by activity in the orbitofrontal cortex 320 ms after the face onset. Altogether, the results reveal the temporal dynamics of the neural mechanism of long-term effects of disagreement with the peer group: early signatures of modified face processing were followed by later markers of long-term social influence on the valuation process at the ventromedial prefrontal cortex.”

“Learning from Evolution about Free Speech” By David Sloan Wilson [This View Of Life]

“Learning from Evolution about Free Speech

By David Sloan Wilson

January 11, 2021

https://thisviewoflife.com/learning-from-evolution-about-free-speech/

(…)

The world is in turmoil over the incendiary language of a US president, the invasion of the US Capitol Building incited by his speech, and the silencing of the president by giant tech firms. Commentators fall back on the US Constitution, especially the First Amendment, to make sense of it all—as if the wisdom of the founders could somehow anticipate the Internet Age. To truly make sense of it all, we need to go back—way back—to the genetic evolution of our species at the scale of small groups.  

Humans are masters of social regulation at the scale of small groups. Alexis d’Toqueville, the acute observer of American democracy in the 1830’s, got it right when he wrote that “the village or township is the only association which is so perfectly natural that wherever a number of men are collected it seems to constitute itself.”

Toqueville’s use of the word “natural” was more apropos than he could have known, writing decades before Darwin’s theory of evolution. Today we know that our ability to cooperate in small groups is a product of genetic evolution. Even though we share 99% of our genes with chimpanzees, there is a night-and-day difference in our cooperativeness. According to Harvard anthropologist Richard Wrangham in his book The Goodness Paradox (1), naked aggression is over 100 times more frequent in a chimpanzee community than a small-scale human community. Even cooperation in chimpanzees typically takes the form of small alliances competing against other alliances within a given community. The main form of community-wide cooperation is aggression toward other communities.

(…)

Likewise, small-scale human societies are not just communitarian but also stubbornly individualistic. Since the great danger is to be pushed around, all members assert their right as a moral equal so that decision-making becomes a collective enterprise. These seemingly contradictory strands, compulsory and voluntary, collective and individualistic, are woven together to form a strong braid.

(…)

So much for the big evolutionary picture that was beyond Tocqueville’s imagination. How does it bear upon the urgent questions of our day, such as the incendiary speech of a US president and the decision of major tech companies to deny him a forum? Let’s shrink these problems down to see what they look like at the scale of a small group. As we have seen, there is a necessity for everyone to have a say in matters of collective importance. This is the necessity that is recognized by the First Amendment of the US Constitution. There is also the necessity to suppress bullying and other behaviors that can disrupt the common good. It all depends on the context. In small and well-regulated human groups, it is relatively easy to recognize the context and apply the appropriate rules.

Not only was this true for small groups in the distant past and the small-scale societies of today, but examples abound in modern WEIRD (Western, Educated, Industrial, Rich, and Democratic) societies (6). Consider the norms of scholarship and science, where adhering to the facts of the matter is a cardinal virtue. The formation and testing of alternative hypotheses is a form of unrestricted free speech, failure to cite or misrepresenting relevant material is rigorously policed, and willfully falsifying data results in immediate exclusion. These norms are as strong as those of the strongest religions. Similar examples could be cited for other modern contexts where truth-telling is important, such as responsible journalism and judicial procedures. When witnesses at a trial swear to “tell the truth, the whole truth, and nothing but the truth…” they legally bind themselves to that commitment.

(…)

The second major factor is that evolutionary theory, which was beyond the imagination of Tocqueville, is still a new perspective in discussions of social theory, economics and law. The title of my book This View of Life: Completing the Darwinian Revolution, signifies that the conceptual unification that has taken place in the biological sciences (and of course continues), is only now taking place in the human-related sciences. In my long career, I have observed that the “evolutionizing” of human-related disciplines such as psychology, anthropology, religion, economics, business, and law takes place at different rates based on idiosyncratic factors.

Economics and business are late bloomers and law even more so. One of the few legal scholars who thinks about free speech and the Internet from an evolutionary perspective is Julie Seaman, Associate Professor at Emory University’s School of Law. An open-access article that we coauthored titled #FreeSpeech makes a start at evolutionizing the concept of free speech, in general, and in the Internet Age. This conversation needs to expand and be put into action rapidly, to keep pace with the rate of cultural evolution in the Internet Age. Otherwise, only social dysfunction can result.”

***

#FreeSpeech

Arizona State Law Journal, Vol. 48, No. 4, 2017

Emory Legal Studies Research Paper No. 17-439

30 Pages

Posted: 14 Apr 2017

https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2951909

Julie Seaman
Emory University School of Law

David Wilson
Binghamton University

Date Written: April 12, 2017

Abstract

It has become commonplace to note that courts have struggled with the challenge of applying analog legal concepts to digital spaces, and nowhere is this truer than in the context of the First Amendment. Here, we focus on a very specific aspect of the Internet and social media revolution – the impact on human behavior of this distinct medium of communication – to consider whether the online context of a communication can be expected to affect the behavior either of the speaker or the audience in ways that might be relevant to First Amendment theory and doctrine.

With the emergence of the field of cyberpsychology over the past decade, the complex universe of the online social brain has begun to reveal itself. While much of this space is thus far only roughly mapped and much else is yet to be discovered, there are a number of preliminary findings that have implications for thinking about freedom of speech on the Internet. The nature and effects of disinhibition online, the effect of online social communication on memory and belief about facts and events in the physical world, and the drivers of antisocial behaviors such as flaming, shaming, and trolling – to name just a few – are all fertile ground for analysis and further research as they relate to First Amendment theory, doctrine, and values.

This initial foray into the treacherous terrain at the crossroads of the First Amendment, social media, and human behavior also draws on the evolutionary science of group dynamics and cooperation, which has much to say about how individuals behave within groups, how groups behave with respect to other groups, and the features that can make some groups successful, constructive, egalitarian, and prosocial while others are destructive, hierarchical, violent, and antisocial. It explores the implications of these ideas as they relate to groups that operate in cyberspace.

Keywords: First Amendment, Cyberspeech, Cyberpsychology, Internet Speech”

Joseph Henrich and Michael Muthukrishna – “The Origins and Psychology of Human Cooperation”. Annual Review of Psychology, 2021

“The Origins and Psychology of Human Cooperation

Annual Review of Psychology

Vol. 72:207-240 (Volume publication date January 2021)

First published as a Review in Advance on October 2, 2020

https://doi.org/10.1146/annurev-psych-081920-042106

Joseph Henrich (1) and Michael Muthukrishna (2)

(1) Department of Human Evolutionary Biology, Harvard University, Cambridge, Massachusetts 02138, USA; email: henrich@fas.harvard.edu

(2) Department of Psychological and Behavioural Science, London School of Economics and Political Science, London WC2A 2AE, United Kingdom; email: m.muthukrishna@lse.ac.uk

PDF:

https://henrich.fas.harvard.edu/files/henrich/files/henrich_and_muthukrishna_the_origins_and_psychology_of_human_cooperation_final.pdf

Abstract

Humans are an ultrasocial species. This sociality, however, cannot be fully explained by the canonical approaches found in evolutionary biology, psychology, or economics. Understanding our unique social psychology requires accounting not only for the breadth and intensity of human cooperation but also for the variation found across societies, over history, and among behavioral domains. Here, we introduce an expanded evolutionary approach that considers how genetic and cultural evolution, and their interaction, may have shaped both the reliably developing features of our minds and the well-documented differences in cultural psychologies around the globe. We review the major evolutionary mechanisms that have been proposed to explain human cooperation, including kinship, reciprocity, reputation, signaling, and punishment; we discuss key culture–gene coevolutionary hypotheses, such as those surrounding self-domestication and norm psychology; and we consider the role of religions and marriage systems. Empirically, we synthesize experimental and observational evidence from studies of children and adults from diverse societies with research among nonhuman primates.

Keywords
cooperation, ultrasociality, evolutionary psychology, cultural evolution, culture-gene coevolution, social behavior”

“Como a ‘mente ocidental’ foi moldada pela Igreja Católica medieval” – Joseph Henrich [BBC Future]

“Como a ‘mente ocidental’ foi moldada pela Igreja Católica medieval

Joseph Henrich*

* Joseph Henrich é professor de Biologia Evolutiva Humana na Universidade de Harvard e autor de The WEIRDest People in the World: How the West Became Psychologically Peculiar and Particularly Prosperous (“As pessoas mais ‘Weird’ do Mundo: Como o Ocidente se Tornou Psicologicamente Pecial e Particularmente Próspera”, em tradução livre).

BBC Future

https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-55566154

(…)

Em primeiro lugar, apesar de entrar nos livros didáticos como as “pessoas” pensam, quase todos os estudos que examinaram esse efeito foram conduzidos entre estudantes americanos. No entanto, os comentaristas sociais, voltando pelo menos a Alexis De Tocqueville, notaram que os americanos são particularmente individualistas e independentes.

(…)

Isso destaca o fato de que chamar alguém de “conformista” é um elogio em muitos lugares, mas não nos Estados Unidos.

Conformidade, entretanto, não é um caso idiossincrático de diferença cultural, mas representa a ponta de um iceberg psicológico.

O banco de dados que domina nossa compreensão da psicologia humana deriva principalmente — 95% dela, na verdade — de populações que são “Ocidentais, Educadas, Industrializadas, Ricas e Democráticas (esse grupo de pessoas é conhecido pela sigla em inglês “Weird”, que significa “esquisito” em português).

Ao contrário de grande parte do mundo hoje — e da maioria das pessoas que já viveram —, essa categoria de pessoas é altamente individualista, obcecada por si mesma, cheia de culpa e analítica em seu estilo de pensamento.

Os chamados “Weird” se concentram em si mesmos — seus atributos, realizações e aspirações. Ao raciocinar, as pessoas tendem a procurar categorias abstratas com as quais organizar o mundo, simplificam fenômenos complexos quebrando-os em elementos discretos e atribuindo propriedades — seja imaginando tipos de partículas, patógenos ou personalidades.

Apesar de sua aparente auto-obsessão, elas tendem a seguir regras imparciais e podem ser bastante confiáveis, justas e cooperativas com estranhos.

Emocionalmente, as pessoas da categoria “Weird” são relativamente desavergonhadas, menos constrangidas quando se deparam com outros, mas frequentemente atormentadas pela culpa por não cumprirem seus próprios padrões autoimpostos.

(…)

Até recentemente, a maioria das sociedades foi sustentada por instituições baseadas intensivamente em parentescos, construídas em torno de grandes famílias estendidas: clãs, casamento de primos, poligamia e muitas outras normas de parentesco que regulam e restringem a vida social. Essas instituições persistem em muitas partes do mundo hoje, especialmente nas áreas rurais.

(…)

Começando no final da Antiguidade, o ramo do cristianismo que evoluiu para a Igreja Católica Romana começou a promulgar gradualmente um conjunto de proibições e prescrições relacionadas ao casamento e à família. A Igreja, por exemplo, proibiu o casamento entre primos, casamento arranjado e casamento polígamo.

Ao contrário de outras denominações cristãs, a Igreja Católica expandiu lentamente o círculo de relacionamentos “incestuosos” para primos no século 11.

Apesar de frequentemente enfrentar forte resistência, esse empreendimento dissolveu lentamente as complexas instituições baseadas em parentesco da Europa tribal, deixando famílias nucleares independentes como um ideal cultural e um padrão comum.

(…)

A maioria de nós pode achar que somos pensadores racionais e independentes. Mas a forma como pensamos, sentimos e raciocinamos — incluindo nossas inclinações para a conformidade e preferências por explicações analíticas — foi moldada por eventos históricos, heranças culturais e tabus de incesto que remontam a séculos ou mesmo milênios.

Compreender como a história moldou nossas mentes faz parte de explorar e abraçar nossa diversidade.”

“Evolutionary Psychology: Predictively Powerful or Riddled with Just-So Stories?” By Laith Al-Shawaf [Areo Magazine]

“Evolutionary Psychology: Predictively Powerful or Riddled with Just-So Stories?

20/10/2020

Laith Al-Shawaf
Laith Al-Shawaf, Ph.D. is a researcher and Assistant Professor of Psychology at the University of Colorado. He has taught and conducted research internationally, been a Visiting Fellow at the Institute for Advanced Study in Berlin, and is an academic adviser at Ideas Beyond Borders. His research (with collaborators) has been featured in outlets such as the BBC, Washington Post, The Atlantic, Psychology Today, Slate, World Economic Forum, and Time, and his essays for general audiences have appeared in Areo and PopMatters.  In 2019, the Association for Psychological Science (APS) named him a Rising Star.

https://areomagazine.com/2020/10/20/evolutionary-psychology-predictively-powerful-or-riddled-with-just-so-stories/

This essay is part of a series on the value of evolutionary approaches to psychology.

Part 1 clears away seven key misconceptions.

Part 2 shows why evolution is necessary for a complete science of the mind.

Part 3 (this essay) illustrates how evolutionary thinking leads to new discoveries.

They do not need to be read in order.

Acommon refrain in the social sciences is that evolutionary psychological hypotheses are “just-so stories.” Amazingly, no evidence is typically adduced for the claim—the assertion is usually just made tout court. The crux of the just-so charge is that evolutionary hypotheses are convenient narratives that researchers spin after the fact to accord with existing observations. Is this true?

Do Evolutionary Approaches Lead to New Predictions? What About New Discoveries?

In reality, the evidence suggests that evolutionary approaches generate large numbers of new predictions and new discoveries about the human mind. To substantiate this claim, the findings in this essay were predicted a priori by evolutionary reasoning—in other words, the predictions were made before the studies took place. They therefore cannot be post-hoc stories concocted to fit already-existing data.

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Consider the following evolutionary predictions about disgust, all of which were made a priori: 1) people’s disgust will be more strongly triggered by objects that pose a greater risk of infection, 2) women will be more disgusted during the first trimester of pregnancy compared to the second and third trimesters, 3) people who grow up in regions of the world with higher levels of infectious disease will be less extraverted, less open to new experiences, and less interested in short-term mating than their counterparts who grow up relatively pathogen-free, 4) cross-cultural differences in pathogen prevalence will predict cross-cultural differences in individualism-collectivism, 5) those with a stronger proclivity for short-term mating will be less easily disgusted, 6) experimentally triggering disgust will reduce interest in short-term mating, 7) people will feel less disgust toward their own offspring and their offspring’s bodily waste compared to the offspring of others, and 8) presenting people with the threat of disease will cause a host of psychological and physiological changes that reduce the likelihood of infection, including a) releasing pro-inflammatory cytokines, b) behaviorally withdrawing, c) temporarily becoming less open to new experiences, and d) reducing one’s desire to affiliate with people. All of these predictions were generated before the fact on the basis of evolutionary reasoning, and all were subsequently supported by the data.

Note that some of these findings could probably have been predicted without evolutionary reasoning. For others, it would have been harder. And for others still, it would have been nearly impossible.

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A final example of the predictive power of evolutionary thinking comes from Error Management Theory, a theory about the evolution of cognitive biases. Error Management Theory suggests that in decision-making scenarios, you can make two possible kinds of error: a Type I error (a false positive) or a Type II error (a false negative). If one error is more costly than the other, and this cost asymmetry recurs over evolutionary time, then the species in question will evolve neurocognitive mechanisms that are adaptively biased toward the safer error. In other words, animal brains operate according to a similar logic as humanly engineered smoke alarms: they are built to be biased toward the less costly error because this minimizes the likelihood of the more catastrophic error.

This simple evolutionary theory leads to new discoveries in areas such as social cognition, visual and auditory perception, and immune function. For example, the theory predicts that when people look down at the ground from a high vantage point such as a steep hill, they will systematically overperceive their distance to the ground, because this is safer than underperceiving the distance to the ground, which could lead to a lack of caution and a lethal fall. This prediction is verified by the data—as is the supplementary prediction that this height estimation bias will be attenuated when people are looking up to a precipice from below (because it is not as dangerous when you are at the bottom), as well as the remarkably precise a priori prediction that the height overestimation bias will apply to environmental verticality, but not retinal verticality (because only environmental verticality is related to falling risk). We owe our knowledge of these fascinating discoveries to the evolutionary reasoning that led to these predictions—predictions that didn’t exist before researchers thought to approach the problem from an explicitly evolutionary perspective.

The logic of Error Management Theory also predicts that heterosexual women will exhibit an on-average “commitment skepticism bias.” The idea is that, on average, overestimating a suitor’s commitment intent was more costly for our hominin female ancestors than underestimating it—so the theory predicts that modern women will exhibit an on-average bias toward erring on the side of underestimating potential mates’ commitment intent. This a priori prediction is confirmed by the data—as is the supplementary prediction that postmenopausal women will not exhibit the bias. More data are needed to test this prediction in different cultures and to figure out which contexts upregulate and downregulate the bias (or annul or reverse it), but initial findings seem promising so far.

Next, Error Management logic predicts that we will exhibit an auditory looming bias. Specifically, the theory suggests that we will perceive approaching sounds to be closer than they actually are, and to be arriving more quickly than they actually are. This is because the safer error is to be prepared for an oncoming danger too early rather than too late. Indeed, studies show that humans do exhibit this auditory looming bias—as do monkeys.

Studies also confirm that, as predicted, we perceive approaching sounds as both starting and stopping closer than equidistant receding sounds.

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Finally, less physically fit individuals need longer to escape an oncoming threat, so they have a more pronounced auditory looming bias than fitter individuals—exactly as predicted by the theory.

By now the reader has doubtless noticed that many of these findings are counterintuitive, and not the kind of result you could predict using common sense. Some, maybe even most, would have remained undiscovered were it not for the evolutionary reasoning that generated the hypotheses in the first place. And even if somehow that statement is incorrect, what is completely unambiguous is this: these hypotheses were generated a priori and then led to new discoveries about how the mind works. They decidedly did not involve working backward from existing data to convenient stories.

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For example, we could have discussed how evolutionary thinking leads to new predictions about pride, shame, hunger, gratitude, jealousy, political preferences in leaders, universality in mate preferences, cultural differences in mating strategies, reputation, punitive sentiment toward criminals, volunteering for charity, support for economic redistribution, moralizing people who opt out of public goods, the “erasure” of race, our ability to solve mathematical problems that are framed in terms of frequency versus probability, what kinds of conditions improve our statistical inferences, our ability to detect violators of social contracts, whom newborn babies are said to resemble, what psychological features might accompany illness, and theoretically predicted cultural variation in the extent to which people value physical attractiveness—to name a few.

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We might reasonably want to ask why evolutionary approaches to psychology are so successful with respect to predictive power. A brief and incomplete accounting suggests that it is partly because evolutionary thinking reduces the search space by insisting on consilience with biology, thereby ruling out hypotheses that violate the basic principles of evolutionary theory; partly because evolutionary theory has been worked out in sufficient detail that deriving predictions from the theory is easier than it is from less well-specified theories; and partly because evolutionary approaches offer researchers useful conceptual-methodological tools such as “task analysis”, which is well suited for generating novel predictions about human psychology and behavior.

“Mad behaviour: the psychologist Joseph Henrich on what makes us weird” By Sophie McBain [New Statesman]

“Mad behaviour: the psychologist Joseph Henrich on what makes us weird

The Harvard professor on how most claims about human nature are based on people from “Western, educated, industrialised, rich, democratic societies”.

Sophie McBain

New Statesman

https://www.newstatesman.com/culture/observations/2020/10/mad-behaviour-psychologist-joseph-henrich-what-makes-us-weird

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In 2010 Henrich co-authored a landmark paper titled, “The weirdest people in the world?” It observed that almost every claim made about human psychology or behaviour is based on studying people who are “Weird”; that is, from Western, educated, industrialised, rich, democratic societies. These people are also weird – statistical outliers.  

Henrich’s research suggests our cultural environment, the norms and institutions we inherit, alters our psychology – and even our biology – in profound ways. Take learning to read. Becoming literate thickens your corpus callosum, which connects the brain’s right and left hemispheres and alters the parts of the brain responsible for processing speech and thinking about other minds. Literate people tend to be worse than others at recognising faces and are more likely to think analytically – breaking problems or scenes into component parts – rather than holistically.

Henrich contends that, compared with much of the world’s populations, “Weird” people are more individualistic and self-obsessed, and more likely to defer gratification, to stick to impartial rules and to trust strangers. They are less likely to extend special favours to friends or family. They’re more likely to feel guilt (a sense of having failed to meet one’s own self-imposed standards) than shame (a sense of having let down one’s community).

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Henrich’s book poses a challenge to psychology, a field grappling with the so-called “replication crisis” – the realisation that when psychologists repeat an experiment, they often get different results. Henrich believes the discipline suffers from a “theoretical crisis”. “There’s no overarching theory that tells you what kind of effects you should expect. And that causes psychologists to try a bunch of stuff, which breeds a lot of false positives.”

The Weirdest People in the World is a provocative book. Human rights activists, for example, might bristle at its suggestion that in certain countries, individual rights aren’t a good psychological “fit”. But Henrich wants to avoid normative conclusions. “Like any science, [the book] can be useful to achieve your goals, but people might have different goals. I can see it being used by people who want to figure out how to spread human rights. I could see it being used by those who don’t.”

“The Science of America’s Dueling Political Narratives” By Laura Akers [Scientific American]

“The Science of America’s Dueling Political Narratives

Elections aren’t won on the basis of policies; they’re won on the basis of the stories each side tells about itself and its values

By Laura Akers
Laura Akers, Ph.D. is a research psychologist at the Oregon Research Institute. Follow her work at http://meta-narrator.com or on Twitter @meta_narrator.

https://www.scientificamerican.com/article/the-science-of-americas-dueling-political-narratives/

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The science of metanarratives and how we respond to them is still in its infancy. Our research team, headed by psychologist Gerard Saucier, has uncovered the metanarratives typical of terrorists and genocidal leaders worldwide. More broadly, my own work seeks to understand how the structure and features of metanarratives can elicit emotional responses, and how social factors influence public reactions.

Emotions arise when we make comparisons relevant to our own needs and desires. We contrast our present circumstances with the future, the past and alternative versions of today. Improvements make us happy and inspire us; losses sadden or frustrate us. If we can blame someone else for our loss, we may become angry with them. And if we’re faced with threats, our fear can motivate action. As with fiction, we can categorize metanarratives by their emotional “genres,” such as progress (pride, optimism) or looming catastrophe (fear).

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As cognitive scientists George Lakoff and Drew Westen remind us, it’s emotion that wins elections.

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The public doesn’t accept every metanarrative it’s offered. We tend to be loyal to the cultural beliefs favored by our social circles and encouraged by our leaders. Even then, some voters stay open to alternatives, if there’s enough dissonance between the party line and their own experiences.”