Bate-papo online sobre a tradução do artigo “A evolução e a ética vistas a partir de duas metáforas: máquina e organismo”, do Filósofo da Biologia Michael Ruse | 30 de novembro de 2022, 18hs

Bate-papo online sobre a tradução do artigo

“A evolução e a ética vistas a partir de duas metáforas: máquina e organismo”

Boletim de História e Filosofia da Biologia, 16 (3), set. 2022. https://www.abfhib.org

do Filósofo da Biologia Michael Ruse

30 de novembro de 2022, 18hs

Tradução de:
Iago Pereira
Maíra Bittencourt
Maria Irene Baggio
Matheus Coelho
Walter Valdevino

Grupo de Pesquisa Moralidade, Evolução e Política (PPGFil-UFRRJ, CNPq-UFRRJ)

[AUTORAL] – Hipótese do marcador somático

Qual é a relação, se há alguma, entre as nossas emoções e o nosso comportamento moral? É isso que entenderemos melhor neste post.

António Damásio é um médico e neurologista que se interessa sobre a relação entre danos em determinadas áreas cerebrais e o comportamento humano. Ou seja, como esses danos estão correlacionados a um comportamento ou à falta de um comportamento.

Em seu livro O erro de Descartes, o neurologista expõe o caso clássico de Phineas Gage (ocorreu em 1848). Gage teve o seu córtex pré-frontal ventromedial (que é a área do cérebro de vocês que fica atrás da testa) perfurado por uma viga de metal, no momento em que ele trabalhava na construção de uma ferrovia. Incrivelmente, Gage sobreviveu.

O que é ainda mais incrível é que o seu comportamento moral foi, para sempre, alterado. Gage não era mais Gage. Um homem outrora cortês, tornou-se rude, falava coisas abjetas, era incapaz de cumprir eficazmente os seus deveres e chegar no horário combinado em seus empregos.

Agora que entra a parte mais interessante do post, então coloque novamente os seus recursos atencionais aqui. Acontece que, se um cérebro sofrer um considerável dano em seu córtex pré-frontal ventromedial, a capacidade emocional do indivíduo estará comprometida. Foi exatamente isso que aconteceu com Gage, e é o que acontece com pessoas que sofrem danos ou nascem com a parte ventromedial do córtex pré-frontal comprometida.

Levando isso em consideração, a emoção tem, portanto, um papel importantíssimo no processo de decisão social. Caso contrário, o comportamento social de Gage e dos pacientes que Damásio expõe em seu livro manteria-se inalterado. Apesar de conseguirem utilizar normalmente aquilo que consagrou-se como “razão”, ela, sozinha, não conseguiu regular o comportamento social desses indivíduos.

A hipótese do marcador somático, em resumo, é a de que as nossas emoções integram o nosso raciocínio, em vez de apenas o atrapalhar, como  supõe-se (“não deixe que as suas emoções o atrapalhe”).

Por fim, pode-se dizer que há uma forte ligação entre a razão e as nossas emoções, de modo que, caso um desses dois polos deixasse de funcionar apropriadamente, aconteceria o mesmo com o comportamento social do indivíduo.

REFERÊNCIAS

Damásio, António. O erro de Descartes. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Texto escrito por: Silva, I.
Lattes do autor: https://lattes.cnpq.br/4005176584329851

[AUTORAL] – O perigo da desindividualização política ou religiosa

Por que nos dividimos em grupos, e tratamos, na maioria das vezes, os indivíduos que não são do nosso grupo como uma possível ameaça? Por que o Brasil vive, em especial nestas eleições, diante do alarmante conflito grupal entre aqueles que simpatizam com o PT e aqueles que simpatizam com
Bolsonaro?

Segundo o filósofo e neurocientista Joshua Greene, que, atualmente, integra o corpo docente de Harvard, a moralidade foi bem-sucedida ao “resolver” o problema do indivíduo dentro do seu próprio grupo, mas falhou em resolver a tensão existente entre grupos. Por que ela não resolveria o conflito tribal? Porque uma cooperação universal não se encaixa com os princípios da teoria da evolução. Essa teoria é baseada, grosso modo, na ideia de que há competição, seja através de estratégias cooperativas ou agressivas, entre os indivíduos (dependendo da perspectiva, até mesmo entre os genes), sendo os
mais aptos aqueles que conseguem, principalmente, reproduzir e que sobrevivem diante dos desafios colocados pelo ambiente (indivíduos que, por sorte, carregam os genes certos no momento certo). Os genes desses indivíduos dão características únicas a eles e os condicionam a poder sobreviver em determinados ambientes.[1] Lembremos que a revolução industrial aconteceu “agora” e que a agricultura é um processo que se originou há meros 12 mil anos. Nesse sentido, no ambiente em que os ancestrais dos indivíduos da nossa espécie viviam, os recursos eram escassos, portanto, as nossas características herdadas quase que totalmente são aquelas que foram selecionadas no ambiente em que viviam esses ancestrais, que, por ventura, eram caçadores-coletores.

O contexto em que se deu a seleção das características dos indivíduos da nossa espécie impediu a moralidade de se “universalizar”. Um indivíduo que divide a sua maçã com todos os organismos que encontra adota uma estratégia que, ao longo do tempo, o levará à morte, uma vez que ele, ao longo da vida, terá que lidar com organismos grupistas que não dividem a maçã com quem não é do seu grupo.

Tal ambiente de pressão seletiva foi o que, a nível grupal, nos deu uma psicologia que atualmente nos insere em conflitos intergrupais. Isso se dá porque colocar dentro do grupo alguém que não tem os mesmos valores morais que nós ameaçará a coesão grupal. É diante dessa problemática que surge o tribalismo, “o frequente favorecimento de membros do grupo em detrimento daqueles que não fazem parte do mesmo grupo”.[2]

Tome como exemplo os times de futebol: aqui, a mera diferença entre as camisas das pessoas significa que elas são companheiras ou adversárias. Você se lembra do dia 02/10 (primeiro turno das eleições de 2022)? Continuando no ambiente de futebol, ninguém negaria que há uma disputa entre as torcidas rivais que as leva a fazer o que estiver ao seu alcance para favorecer o time. Essas disputas ocorrem porque as pessoas têm um viés psicológico que as orienta a cair no atual precipício do divisionismo, que, por sua vez, incide em uma perspectiva de mundo que falsamente dicotomiza a realidade entre o bem (nós) e  o mal (eles). Esses indivíduos podem até matar os membros de outras torcidas unicamente porque eles
não fazem parte do mesmo grupo.

Contraintuitivamente, essa tendência de querermos pertencer a um grupo, juntamente com a vontade de querermos aumentar o próprio status em relação aos outros membros dentro do grupo, nos leva a solapar os nossos próprios valores morais. Isso porque, de outra forma, em uma situação normal, na qual não estivéssemos rodeados pelo nosso grupo, ao vermos uma pessoa com a camisa de outro time, geralmente não sofremos a influência da pressão grupal ao ponto em que chegaríamos aquilo que a psicologia chama de “desindividualização” e “efeito do observador”, os quais podem, em determinadas situações, fazer com que indivíduos se agridam.[3]

É possível inferir que, em diversos contextos ao longo da história filogenética de nossa espécie, o tribalismo pôde contribuir ajudando aos caçadores-coletores a sobreviver. Entretanto, nas sociedades democráticas, ele aparenta colocar um desafio que, por enquanto, não parecemos estar à altura de enfrentar. Reiterando, ele possibilita a obliteração de mecanismos psicológicos que, em ocasiões de ação individual, funcionariam normalmente. [4]

Umas das lições disso tudo é a seguinte: tomem cuidado acerca de como se comportam e sobre o que dizem quando estão rodeados por seus pares, seja virtualmente ou presencialmente. Em um contexto de democracia liberal, o “outro” pode estar ao seu lado, isso é, ser o seu pai, ou a sua mãe, ou o seu
vizinho, e, em seus íntimos, serem pessoas tão boas quanto você que, no final das contas, foram desindividualizadas devido aos últimos tempos em que se escalonou o conflito entre os diferentes grupos. Nós não somos criaturas politicamente racionais, mas sim emocionais. Saber disso pode nos livrar de parte de nossos preconceitos e fazer com que trabalhemos em direção contrária às nossas tendências psicológicas que jogaram as democracias liberais no atual quadro.

REFERÊNCIAS:
[1] Greene, Joshua. Tribos morais. Rio de Janeiro: Record, 2018, p. 33.
[2] Greene, Joshua. Tribos morais, p. 77.
[3] Burnett, Dean. O cérebro que não sabia de nada. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010, p. 221.
[4] Burnett, Dean. O cérebro que não sabia de nada, p. 218.

Texto escrito por: Silva, I.
Lattes do autor: https://lattes.cnpq.br/4005176584329851

[AUTORAL] – Psicologia Evolutiva e Beleza: você vê aquilo que a sua consciência quer que você veja

O debate sobre o que é, afinal, o Belo, perdura há pelo menos 2500 anos. Porém, não é a partir desse extenso debate que a psicologia evolutiva nos entrega novos insights, é a partir do pano de fundo oferecido pela teoria da evolução, que foi apresentada por Chales Darwin em 1859.

No senso comum, ainda mais a partir dos movimentos hippies da década de 1960, instaurou-se uma visão de que a beleza é relativa, o que significa que cada indivíduo poderia classificar, ao seu bel prazer, aquilo que considera como sendo algo belo. Essa visão está um tanto quanto correta. Mas como assim, a beleza é relativa? Sim e não. Na verdade, ela não está no outro organismo, na outra pessoa, mas sim na mente do indivíduo que a enxerga. Por exemplo, por mais bonito que você ache o quadro da Mona Lisa, o seu cachorro não está nem aí para ele. Provavelmente, se o seu cachorro fosse filhote, caso você desse o quadro para ele admirar a beleza da Mona Lisa, ele o trucidaria usando-o como fonte de distração.

Indo do raso para fundo da psicologia humana, ignorando o que os hippies e o seu cachorro têm a dizer,  a fim de dar conta desse conceito complexo, poderíamos dizer que a beleza é, na verdade, uma percepção de medida de sucesso reprodutivo em oferta, tal qual a recompensa por comer uma maçã ou se relacionar sexualmente com outro indivíduo. Mas o que quero dizer com isso? Imagine um mundo em que tudo que você vê reporta a pontos de aptidão (medida de sucesso reprodutivo). Em um mundo como esse, a beleza desempenharia o importante papel  que é nos informar os pontos de aptidão dos potenciais parceiros sexuais. Ela não nos informa uma realidade objetiva que é bela, em vez disso, ela nos informa acerca dos pontos de aptidão dos outros organismos.  “Antroprologizando” e “biologizando” a questão, nua e cruamente ela é um artifício que se desenvolveu ao longo dos milhares de anos de sobrevivência e reprodução dos nossos ancestrais porque conseguia nos orientar, com certo grau de assertividade, acerca dos pontos de aptidão dos machos e fêmeas que apareciam no ambiente.

A experiência da beleza foi tão enraizada na nossa psicologia que se tornou uma experiência inconsciente. (Tal experiência que pode ser vista funcionando a todo vapor em crianças de dois anos de idade!). As etapas funcionais da beleza foram descritas genialmente pelo psicólogo evolutivo Donald D. Hoffman: “toda vez que você encontra uma pessoa, os seus sentidos automaticamente inspecionam dezenas, talvez centenas de pistas, todas em uma fração de segundos. Essas pistas, meticulosamente selecionadas ao longo da nossa história evolutiva, te informam sobre uma coisa: potencial reprodutivo. Isso é, essa pessoa poderia ter, e criar, proles saudáveis”?

O que Hoffman quer dizer com isso é o seguinte: a beleza é o resultado de inferências inconscientes dentro daquele que a enxerga; inferências essas que foram moduladas para enxergar os pontos de aptidão de bons parceiros sexuais em potencial.

Para finalizar, “geneticizando” a questão, tudo isso se trata de replicabilidade genética. Os genes que conferiam as melhores pistas acerca dos pontos de aptidão aos seus organismos, assim como os faziam enxergar as melhores pistas nos outros, foram os que mais se replicaram. E aqui estamos nós: uma espécie que enxerga “objetivamente” a beleza, mas que, no entanto, é completamente enganada sobre a veracidade daquilo que vê. Resumindo tudo, a beleza, tal como nossas mãos e pernas, é dependente do organismo. Ela não é objetiva no sentido empregado pelo senso comum, nem relativa no sentido empregado pelos movimentos hippies da década de 1960. De fato, a sua mente e o outro organismo informam o belo, mas o belo que eles evoluíram para informar e enxergar. Ou seja, a beleza não é relativa e nem objetiva, ela é um fenômeno complexo que merece o seu devido tratamento especial.

Claro, um debate tão complexo como esse não pode ser resolvido nem por um décimo aqui no meu texto. Porém, pode ser discutido.

Referências:

Hoffman, Donald D. The case against reality: how evolution hid the truth from our eyes. Great Britain: Penguin Books, 2020.

Texto escrito por: Silva, I.
Lattes do autor: https://lattes.cnpq.br/4005176584329851

[AUTORAL] – O que é a Psicologia Evolutiva?

Se eu pudesse resumir o que é Psicologia Evolutiva em um parágrafo,  a resumiria assim: ela é simplesmente uma psicologia que é informada pelo conhecimento adicional da biologia evolutiva. Com isso, os psicólogos evolutivos esperam entender a estrutura da mente humana através dos seus criadores, que são os processos evolutivos.

Os psicólogos evolutivos Leda Cosmides e John Tooby argumentam que, se quisermos entender como a cultura modela o comportamento humano, precisamos, antes, entender a arquitetura psicológica que se desenvolveu a partir dos processos evolutivos. É uma tarefa de extrema dificuldade entender o produto (cultura) sem entender melhor o seu produtor (que é a nossa psicologia evoluída). Isso pode ser visto diante das divergentes posições que diferentes intelectuais das ciências sociais tomam como verdadeiras. Um exemplo clássico é a divergência entre os que acreditam em uma possível verdade expressa no corpo teórico de Max Weber e os que acreditam no corpo teórico de Karl Marx.

Porém, vale ressaltar que a própria cultura tem o poder de modelar as estruturas do nosso cérebro e, consequentemente, as nossas experiências de consciência. Isso foi muito bem exposto pelo antropólogo e psicólogo Joseph Henrich, na obra The WEIRDest people in the world.

O empreendimento da psicologia evolutiva nasceu de uma tentativa de integralização conceitual, que visa conectar os diferentes campos da ciências humanas a partir do manto da teoria da evolução, usando como pano de fundo a psicologia humana. Isso porque não haveria uma maneira melhor de entender os comportamentos humanos do que a partir daquilo que o produz, que é a mente. Cosmides e Tooby denominaram essa integralização conceitual como Modelo de Causação Integrada (MCI). Esse modelo conecta as ciências humanas com o resto das ciências reconhecendo que:

“(1) A mente humana consiste em um conjunto de mecanismos evoluídos de processamento de informações instanciado no sistema nervoso humano.

(2) Esses mecanismos, tal como os programas desenvolvimentais que os produziram, são adaptações produzidas pela seleção natural durante o tempo em que os nossos ancestrais eram caçadores-coletores.

(3) Muitos desses mecanismos são funcionalmente especializados para produzir problemas adaptativos particulares, como a seleção de parceiros sexuais, a aquisição de linguagem, as relações familiares e o problema da cooperação.

(4) Para ser funcionalmente especializados, muitos desses mecanismos precisam ser ricamente estruturados de um modo específico.

(5) O processamento de informações de conteúdo específico gera conteúdos particulares na cultura humana, incluindo certos comportamentos, artefatos e representações linguisticamente transmitidas.

(6) O conteúdo cultural gerado por esses ou outros mecanismos estão então presentes para serem adotados ou modificados por mecanismos psicológicos situados em outros membros da população.

(7) Isso configura os processos históricos a nível populacional e epismemológico.

(8) E esses processos são localizados em contextos e ambientes intergrupais, ecológicos, econômicos e demográficos.”

Referências bibliográficas:

Barkow, J; Cosmides; L; Tooby, J. The Adapted Mind. New York: Oxford University Press, 1992.

Henrich, Joseph. The WEIRDest people in the world. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2020.

Texto escrito por: Silva, I.
Lattes do autor: https://lattes.cnpq.br/4005176584329851

Pesquisadores evolucionistas temem que tendências políticas estejam impedindo o progresso na psicologia evolutiva, de acordo com novo estudo [PsyPost]

“Pesquisadores evolucionistas temem que tendências políticas estejam impedindo o progresso na psicologia evolutiva, de acordo com novo estudo

por Beth Ellwood
31 de maio de 2022
em Psicologia Social

https://www.psypost.org/2022/05/evolutionary-scholars-worry-political-trends-are-impeding-progress-in-evolutionary-psychology-according-to-new-study-63247

Uma pesquisa sistemática entre pesquisadores evolucionistas sugere uma ausência de progresso na disciplina da ciência evolutiva humana. De acordo com as respostas dos participantes, muitos pesquisadores estão preocupados que as tendências políticas na academia estejam contribuindo para o aumento da hostilidade em relação ao campo. Os resultados foram publicados no Journal of the Evolutionary Studies Consortium.

O campo da pesquisa evolutiva humana encontrou resistência tanto de acadêmicos quanto de pessoas comuns. Na América, cerca de metade da população não acredita que os humanos descendem de espécies anteriores. E embora a maioria dos estudiosos aceite a teoria evolutiva, muitos são resistentes a aceitar explicações evolutivas para o comportamento social humano.

Em 2010, uma equipe de pesquisadores, incluindo Daniel J. Kruger, conduziu um estudo para explorar sistematicamente o estado da pesquisa evolutiva humana avaliando uma grande amostra de estudiosos evolucionistas. As descobertas gerais sugeriram que os estudiosos estavam, de modo geral, otimistas de que o campo ganharia aceitação nos próximos anos. Mais recentemente, Kruger e sua equipe realizaram uma pesquisa de acompanhamento para avaliar se essas previsões esperançosas seriam cumpridas.

Essa segunda rodada, realizada dez anos depois, em 2020, pesquisou novamente uma amostra de estudiosos evolucionistas e fez perguntas sobre seus desafios acadêmicos e de carreira. A amostra foi recrutada solicitando membros de várias sociedades de ciências evolutivas humanas, bem como participantes que completaram a pesquisa de 2010. Os participantes incluíram professores e alunos que usam perspectivas evolutivas para estudar a psicologia e o comportamento humano.

“É importante avaliar e entender o estado geral e o progresso dos campos científicos”, disse Kruger ao PsyPost. “Escrevemos vários artigos documentando as experiências de estudiosos que usam uma estrutura evolutiva para entender a psicologia e o comportamento humano. A evolução por seleção natural e sexual é a teoria mais poderosa nas ciências da vida e a única estrutura teórica que pode unir campos díspares”.

“No entanto, desde a publicação de Darwin em 1859 de ‘A Origem das Espécies’, tem havido resistência à ideia de que as forças evolutivas moldaram nossa própria espécie. As abordagens evolucionárias da psicologia foram criticadas, embora muitas críticas sejam baseadas em mal-entendidos”.

A amostra final foi composta por 579 pesquisadores entre 20 e 89 anos, sendo 61% homens, 38,3% mulheres e 0,7% que indicaram outro gênero. A maioria dos entrevistados estava na América do Norte (59,7%), enquanto 28,6% estavam na Europa, 4,6% na América do Sul, 4,3% na Ásia e 2,8% na Oceania. Os três principais campos de estudo listados foram Psicologia (57,9%), Antropologia (18%) e Biologia (6%).

No geral, os estudiosos relataram preocupações semelhantes sobre a pesquisa evolutiva em 2020, assim como na década anterior. No entanto, houve algumas evidências sugerindo que os estudiosos estavam um pouco menos otimistas em 2020. Os entrevistados relataram avanços menores na proeminência da pesquisa evolutiva na última década e também previram avanços menores nos próximos dez anos.

Muitos estudiosos observaram que eles eram os únicos estudiosos evolucionistas em seu departamento e, quando perguntados sobre as opiniões de seu departamento sobre psicologia evolutiva, as respostas foram variadas. Em comentários abertos, alguns participantes relataram que seu departamento ou campo era muito favorável às perspectivas evolucionárias, enquanto outros notaram que hostilidade, falta de compreensão ou atitudes depreciativas eram generalizadas. Em muitos casos, os entrevistados aludiram a um aumento no politicamente correto e questões de justiça social como um fator relacionado a essa hostilidade.

Os entrevistados também foram questionados sobre questões relacionadas à sua carreira ou campo. “Vários entrevistados observaram que a academia mudou politicamente para a esquerda na última década, especialmente nos últimos anos nos EUA”, escreveram Kruger e seus colegas em seu estudo. “Essa mudança cultural foi vista como uma crescente hostilidade aos modelos evolucionários, tanto por causa de implicações genuínas (por exemplo, os humanos não são lousas em branco intercambiáveis) quanto por percepções errôneas contínuas (ou seja, modelos evolucionários são inerentemente racistas, sexistas, transfóbicos etc.).”

De acordo com suas descobertas, os autores do estudo sugerem que o campo não avançou no tempo com o otimismo relatado pelos estudiosos em 2010, mas parece ter se estabilizado. Eles sugerem que os estudiosos evolucionistas podem precisar fazer mais para promover ativamente abordagens evolucionárias e resolver equívocos relacionados à sua disciplina. Notavelmente, a amostra de 2020 foi composta por um número maior de professores e um número menor de alunos em relação à amostra de 2010, o que pode ter enviesado os resultados para as percepções dos professores.

“Pesquisadores que adotam abordagens evolucionárias para entender a psicologia e o comportamento esperam ver um progresso contínuo na integração da teoria evolutiva nas ciências humanas, por causa do poder da teoria e da natureza cumulativa das evidências”, disse Kruger. “Infelizmente, essa abordagem parece ter se estabilizado por enquanto, já que as tendências gerais na academia (incluindo um aumento na politização da ciência) mudaram o interesse para outras áreas ou aspectos.”

“Pode ser necessário que as sociedades evolutivas e os estudiosos tenham um papel mais ativo na promoção de perspectivas evolutivas tanto na academia quanto no discurso público”, acrescentou. “Mudar a dinâmica política pode exigir maiores esforços para dissipar equívocos sobre a teoria evolutiva e sua aplicação aos humanos. As soluções para os desafios atuais da humanidade serão mais eficazes se forem informadas por uma compreensão precisa da humanidade, que, claro, teria a teoria evolucionária como base. Avaliações futuras revelarão se a pesquisa evolutiva em humanos é marginalizada na academia ou experimenta um ressurgimento”.

O estudo, “The 2020 Survey of Evolutionary Scholars on the State of Human Evolutionary Science”, é de autoria de Daniel J. Kruger, Maryanne L. Fisher, Steven M. Platek e Catherine Salmon.

https://evostudies.org/wp-content/uploads/2022/03/Kruger-et-al.-2022-Vol9Iss1.pdf

1º Seminário dos Grupos de Pesquisa do PPGFil-UFRRJ | Grupo de Pesquisa Evolução, moralidade e política | 27/04/22, 13:30

1º Seminário dos Grupos de Pesquisa do PPGFil-UFRRJ | 25 a 28 de abril de 2022

https://cursos.ufrrj.br/posgraduacao/ppgfil/1o-seminario-dos-grupos-de-pesquisa

O evento será exclusivamente online, através da plataforma Google Meet.

Prazo final para inscrição de ouvintes: 23 de abril de 2022, sábado, 23:59.

A inscrição para ouvintes é gratuita e deverá ser feita através de Formulário Google.

O link de acesso ao Google Meet será enviado, no dia 24 de abril de 2022, para o e-mail preenchido no formulário de inscrição.

O certificado de participação para os presentes também será enviado através do e-mail preenchido no formulário de inscrição.

Quarta-feira, 27 de abril de 2022

Grupo de Pesquisa Evolução, moralidade e política

13:30 – Walter Valdevino Oliveira Silva (PPGFil-UFRRJ): Teoria da Evolução como base para a moralidade e a política

14:00 – Iago Pereira da Silva (PPGFil-UFRRJ): O problema da base biológica para a ética normativa

14:30 – Maíra Bittencourt (Mestre em Filosofia – Unicamp): Bayesianismo e Filosofia da Ciência

15:00 – Miécimo Ribeiro Moreira Júnior (PPGLM-UFRJ): Teogonia Política

15:30 – Paulo Marcos da Silva (Biologia – Freie Universität Berlin): Evolução da genitália humana comparada com a de primatas

16:00 – Matheus Adriano Ferreira Coelho (Biologia-UFRJ): As quatro questões de Tinbergen: como a biologia pode nortear as ciências humanas

CLIQUE AQUI PARA SE INSCREVER NA SESSÃO DO DIA 27/04/22 DO GRUPO DE PESQUISA EVOLUÇÃO, MORALIDADE E POLÍTICA.

“Economic Development, the Nutrition Trap and Metabolic Disease”

Trabalho na interseção entre economia e biologia revela insigths sobre a saúde pública

https://news.yale.edu/2022/02/22/work-intersection-economics-and-biology-reveals-public-health-insight

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Luke, Nancy; Munshi, Kaivan; Oommen, Anu Mary; and Singh, Swapnil, “Economic Development, the Nutrition Trap and Metabolic Disease” (2021). Discussion Papers. 1087.
https://elischolar.library.yale.edu/egcenter-discussion-paper-series/1087

https://elischolar.library.yale.edu/egcenter-discussion-paper-series/1087/

https://elischolar.library.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=2086&context=egcenter-discussion-paper-series

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Durante décadas, os cientistas não conseguiram determinar por que exatamente há uma alta incidência de diabetes e outras doenças metabólicas entre indivíduos considerados de peso normal nos países em desenvolvimento. Um enigma relacionado é por que a desnutrição nem sempre diminui com o desenvolvimento econômico.

Um novo estudo liderado por Kaivan Munshi, de Yale, argumenta que há uma única explicação biológica para ambos.

Em um novo documento de trabalho, Munshi, professor de economia na Faculdade de Artes e Ciências de Yale e afiliada do Centro de Crescimento Econômico (EGC), e uma equipe de coautores descrevem como um aumento no consumo de alimentos pode colidir com uma metabolismo herdado do indivíduo, causando maior incidência de doenças por algumas gerações em uma linhagem familiar. Se os resultados suportarem mais testes, eles podem ter amplas ramificações para programas e políticas de nutrição destinados a conter o diabetes nos países em desenvolvimento.

O artigo foi lançado como parte da série de Documentos de Discussão do EGC.

Em pesquisas anteriores, Munshi explorou como os laços entre membros de grupos sociais – incluindo castas na Índia e grupos de migrantes nos Estados Unidos – funcionam na economia mais ampla. Em 2012, enquanto estava na Universidade de Cambridge, recebeu financiamento do National Institutes of Health para um estudo sobre o papel que os grupos comunitários podem desempenhar nos programas de controle da tuberculose no sul da Índia. Isso levou à sua pesquisa sobre doenças metabólicas – qualquer doença ou distúrbio que interrompa o metabolismo, o processo de conversão de alimentos em energia. Munshi continuou essa linha de pesquisa desde que ingressou no corpo docente de Yale em 2019.

O novo estudo remonta à história para entender as ligações entre as tendências atuais de desenvolvimento contemporâneo e a saúde pública.

Em estudos anteriores, os pesquisadores argumentaram que, na economia pré-moderna, a ingestão calórica das pessoas era geralmente baixa, embora houvesse grandes flutuações de curto prazo na quantidade de alimentos disponíveis. Ao longo de séculos, quando as sociedades humanas quase não viram crescimento econômico, o corpo humano se adaptou tanto a essa escassez de alimentos de longo prazo quanto a flutuações por meio de vários processos físicos, inclusive estabelecendo e defendendo um “ponto de ajuste” para a massa corporal.

A teoria do ponto de ajuste postula que o corpo tem um sistema estabilizador – ou “homeostático” – que usa ajustes metabólicos e hormonais para manter o equilíbrio energético do corpo contra flutuações na ingestão de alimentos. Esses ajustes metabólicos teriam compensado os períodos temporários de consumo maior ou menor, mantendo o corpo em um índice de massa corporal (IMC) estável – e necessariamente baixo -, que é aproximadamente o peso de um indivíduo dividido pela altura.

Os sistemas homeostáticos, entretanto, só podem se autorregular dentro de limites fixos; quando esses limites forem excedidos, o sistema falhará. Com o início do crescimento econômico na economia moderna, um aumento acentuado na disponibilidade de alimentos foi um choque para o sistema.”

“Outrage! Our minds and morals did not evolve to cope with social media” By Tim Dean

“Ultraje! Nossas mentes e moral não evoluíram para lidar com as mídias sociais

A indignação é uma emoção útil que ajudou nossos ancestrais a sobreviver. Hoje, isso nos deixa com raiva, cansados, impotentes e miseráveis.

https://bigthink.com/thinking/outrage/

18 DE MARÇO DE 2022

Tim Dean
Tim Dean é Filósofo Sênior no The Ethics Center e autor de How We Became Human.

A indignação é uma emoção evolutivamente útil porque pune os infratores e mantém as pessoas na linha. Hoje, expressamos grande parte de nossa indignação online, que não serve a nenhum propósito específico e raramente aborda a ofensa moral ou procura corrigi-la. Não somos escravos da nossa natureza. Podemos nos desvencilhar da indignação.

O que a evolução tem a ver com o problema da toxicidade das mídias sociais? A resposta curta é: mais do que você imagina. A resposta mais longa é: a toxicidade da mídia social é, em parte, um subproduto da maneira como nossas mentes evoluíram para pensar sobre o certo e o errado.

Assim como nossos corpos, nossas mentes foram moldadas por nossa longa história evolutiva como animais sociais, que passou a maior parte de seu passado evolutivo vivendo em sociedades de pequena escala. Essas sociedades tinham dinâmicas sociais radicalmente diferentes em comparação com as sociedades online massivas, diversificadas e globalizadas em que vivemos hoje. E muitos dos problemas sociais e morais que nossos ancestrais distantes tiveram que resolver também eram radicalmente diferentes dos que enfrentamos hoje.

Portanto, as ferramentas que a evolução deu aos nossos ancestrais para resolver seus problemas – incluindo heurística mental e emoções morais – podem ter funcionado bem em seu mundo, mas jogue essas mesmas ferramentas em nosso mundo e elas podem causar mais mal do que bem.

De muitas maneiras, partes-chave de nossa psicologia moral evoluída já passaram do prazo de validade. E é hora de recuarmos e trazermos nosso pensamento para o século 21.

A indignação como mecanismo de sobrevivência

Considere a indignação. Normalmente não pensamos na indignação como uma emoção “moral”, mas é isso que é. A indignação é um tipo especial de raiva que sentimos quando alguém faz algo errado. Isso nos enche de uma onda de energia que nos motiva a atacá-los e puni-los. É o que experimentamos quando alguém mente, rouba ou viola nossa dignidade.

(…)

O problema com a mídia social é que muitos dos ultrajes que testemunhamos estão muito distantes de nós, e temos pouco ou nenhum poder para evitá-los ou para reformar os malfeitores de alguma forma significativa. Mas isso não nos impede de tentar. Porque a indignação exige satisfação.

(…)

Quando você vê o Twitter em ação, você vê a indignação funcionando como a natureza pretendia. Exceto que não está funcionando no ambiente para o qual foi “projetado”. A indignação funcionou para nossos ancestrais que viviam em comunidades de pequena escala, onde eles conheciam o malfeitor pessoalmente e podiam se unir a aliados para trazê-los de volta à linha.

No mundo moderno, quando estamos separados por telas e só conseguimos nos comunicar em pequenos trechos de texto, a indignação pode falhar. Torna-se uma relíquia de um tempo diferente que está fora de sintonia com a maneira como experimentamos o mundo hoje.”

“Evolutionary Mismatch, Emotional Homeostasis, and Emotional Addiction: A Unifying Model of Psychological Dysfunction” by John Montgomery [Evolutionary Psychological Science, 2018]

“Evolutionary Mismatch, Emotional Homeostasis, and Emotional Addiction: A Unifying Model of Psychological Dysfunction

John Montgomery

Evolutionary Psychological Science, volume 4, pp. 428–442 (2018)

Artigo Teórico
Publicado: 02 de maio de 2018

https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs40806-018-0153-9

Resumo

Este artigo propõe uma estrutura evolutiva unificadora para a compreensão da gênese de uma ampla gama de transtornos psicológicos. Os transtornos psicológicos como um todo parecem se desenvolver em frequências significativas apenas sob condições de “incompatibilidade evolutiva”, nas quais pessoas ou animais vivem em ambientes, como cidades modernas ou culturas industrializadas em geral, para os quais não são evolutivamente ou biologicamente adaptados. Ambientes evolutivamente incompatíveis parecem frequentemente causar interrupções nos estados de unidade que evoluíram para manter a homeostase. Com base em várias linhas de evidência, vou sugerir que estados emocionais dolorosos e angustiantes podem fornecer recompensas bioquímicas inconscientes no cérebro e, em condições ambientais incompatíveis, podem se tornar reforçados, criando “vícios emocionais” compulsivos e inconscientes. Esse fenômeno central pode ser a principal força motriz da grande maioria dos distúrbios psicológicos. Sugere-se que o impulso ou força desadaptativa que os vícios emocionais parecem gerar – mencionados aqui como “impulso não-homeostático” ou “impulso viciante” – de modo disfuncional, desnecessário e repetidamente tiraram as pessoas da homeostase, criando desequilíbrios sistêmicos que podem resultar em uma variedade de disfunções psicológicas.

Os drives homeostáticos e não-homeostáticos

Talvez o princípio mais fundamental na biologia moderna seja que todas as coisas vivas se esforçam para alcançar e manter estados de homeostase, ou equilíbrio, em todos os níveis (Craig 2003; Damasio 1999; Marder e Tang 2010). Na verdade, a capacidade de renovar os constituintes de uma célula viva ou coleção de células e de manter a homeostase fisiológica dentro dessas células para vários minerais, nutrientes, íons e outras biomoléculas é considerada uma capacidade fundamental para que a vida exista (Luisi 2006). Em organismos unicelulares, nutrientes e íons são mantidos em equilíbrio quase automaticamente por uma variedade de moléculas de transporte que estão incorporadas no envelope celular do organismo (Cook et al. 2014). Com a evolução de animais multicelulares mais complexos, no entanto, e particularmente com a evolução dos mamíferos, a expressão de estados emocionais específicos e as ações ou escolhas comportamentais que esses estados emocionais motivam tornaram-se um elemento central da manutenção da homeostase (Craig 2003; Panksepp e Biven 2012).

Quando os níveis de nutrientes na corrente sanguínea ou no corpo de um animal, por exemplo, caem abaixo de um limiar homeostático crítico, um desejo ou fome por comida, que pode ser visto como um verdadeiro estado emocional (Anderson e Adolphs 2014; Giuliani e Berkman 2015), é gerado no cérebro do animal (Fig. 1). Como a maioria dos estados emocionais, a fome é biologicamente projetada para motivar uma ação específica ou um conjunto de ações, que neste caso é a busca e consumo de alimentos adequados. O estado emocional de fome com efeito tira o animal da homeostase para a não-homeostase, mas esse estado não-homeostático é projetado especificamente para conduzir um comportamento – a busca e o consumo de comida – que trará o animal de volta à homeostase.

O estado emocional de repulsa, para dar outro exemplo, parece ter uma função homeostática semelhante. A repulsa parece ter evoluído como parte do “sistema psicológico imunológico”, que é biologicamente projetado para gerar evitação comportamental de patógenos potencialmente perigosos (Neuberg et al. 2011). Em humanos, o cheiro de carne podre, por exemplo, evocará uma sensação de repulsa que fará com que os olhos, narinas e boca se fechem parcialmente de forma automática e inconsciente para minimizar a exposição a parasitas potencialmente perigosos ou outros patógenos transportados pelo ar. A emoção de nojo também tende a motivar as pessoas a se afastarem com segurança da fonte de nojo, o que, mais uma vez, minimiza o risco de infecção. Todas as outras fontes comuns de uma reação de nojo físico, como a visão de feridas pustulentas, da mesma forma representam um risco de infecção por patógenos contra o qual a resposta emocional e fisiológica de nojo é projetada para fornecer proteção. Assim, a emoção de nojo novamente joga o sistema na não-homeostase com o objetivo de motivar o comportamento que é projetado para permitir um retorno à homeostase (Damásio, 1999).

Em humanos e outros animais superiores, um estado geral de homeostase parece ser expresso principalmente como um estado emocional de paz ou bem-estar, no qual não há ameaças iminentes percebidas (como uma ameaça de patógenos) e nenhuma necessidade urgente (como necessidade de comida). Estados emocionais homeostáticos, como sentimentos de paz ou bem-estar, normalmente parecem refletir estados subjacentes de homeostase fisiológica, enquanto estados emocionais não homeostáticos, como fome, nojo, ou medo, sinalizam ameaças potencialmente sérias à homeostase que devem ser abordadas de alguma forma. Assim, o aparente projeto biológico de todos os animais, incluindo humanos, é estar em homeostase sempre que possível, mas, quando a homeostase é ameaçada, desencadear estados emocionais não-homeostáticos apropriados projetados para motivar ações que tendem a permitir um retorno à homeostase (Fig. 2). Esta tendência de todo o organismo de manter estados de homeostase pode ser vista como um “impulso homeostático” global, representando uma força biológica fundamental e extremamente poderosa projetada para manter o organismo ou animal em homeostase sempre que possível (Montgomery e Ritchey 2008).”

The Economic Legacy of the Holocene By Lisi Krall [The Evolution Institute]

“O Legado Econômico do Holoceno

Por Lisi Krall 
30 de dezembro de 2021

http://evolution-institute.org/the-economic-legacy-of-the-holocene/

(…)

“Tenho muitas lembranças pungentes dessa época, mas uma é particularmente relevante aqui. Na semana antes de morrer, quando as linhas de tempo e espaço começaram a se desfazer como fazem de maneira confiável, Paul [Shepard] voltou-se para minha mãe uma noite e disse que ela não deveria ficar alarmada se quando ela acordasse ele não estivesse lá – ela o encontraria no quintal, ceifando. Na época, parecia-me um lugar estranho para ele ir, visto que ele havia dedicado a obra de sua vida a um avaliação crítica do impacto da agricultura nos humanos e na Terra, destacando tudo o que se perdeu quando os humanos começaram a domesticar plantas e animais. Achei que ele preferia retornar ao Pleistoceno, a era antes da agricultura, mas em vez disso ele adotou um ato do Holoceno, ceifa. Paul não tinha acabado de pensar na importância da agricultura. Desde então, internalizei sua inclinação no leito de morte, o impulso de entender o que aconteceu aos humanos e à Terra quando os humanos começaram o cultivo de grãos anuais e embarcaram na agricultura animal, trazendo comigo minha formação como economista.

(…)

A Revolução Agrícola é o antecedente direto do curso de colisão atual entre a economia global e a Terra, e o capitalismo é apenas uma representação institucional particular de uma mudança de sistema que esteve em movimento por 10.000 anos, muito antes da economia de mercado. No entanto, muitos críticos assumem que as crises de hoje são produto da Revolução Industrial, tecnologia avançada e capitalismo. A importância da Revolução Agrícola é obscurecida, nunca totalmente descartada, mas nunca totalmente reconhecida. Um exemplo é o trabalho de Jason W. Moore (2016), que argumenta que devemos falar de um “Capitaloceno” distinto. Moore está certo em expandir nossa visão do capitalismo para uma longue durée – não apenas nos últimos 250 anos, mas talvez começando no século 14, quando a “ecologia mundial” do capitalismo se consolidou – mas ele descarta a importância da Revolução Agrícola em sua análise. Certamente, a versão específica de dominação, exploração e expansão do capitalismo levou à extinção e à decadência ecológica, mas um contexto histórico mais amplo e uma perspectiva ecológica mais profunda são necessários para compreender o surgimento e a complexidade da ordem econômica do capitalismo.

(…)

As formigas da colônia são tão profundamente interdependentes que a autonomia individual é essencialmente inexistente e a cooperação é tão intensa que alguns membros da colônia são estéreis. Nenhuma formiga tem conhecimento da produção de fungos; que o conhecimento está embutido no coletivo e na maneira como ele funciona em torno do propósito comum. Seguindo o exemplo de Hölldobler & Wilson (2011), não parece exagero dizer que as formigas têm “civilização” e se referir à colônia como um “superorganismo” em virtude de sua inteligência e ordem. A colônia, como uma unidade de seleção natural, tem posição em termos evolutivos. Essas espécies são extremamente bem-sucedidas pelos padrões biológicos e evolutivos, pois a interação autocatalítica da produção de fungos e do crescimento populacional permite uma grande expansão no tamanho da colônia. Há também expansão por meio da migração para um novo local de nidificação e o estabelecimento de novas colônias.

(…)

Quando me dei conta dessas semelhanças na organização econômica e na dinâmica populacional em relação à agricultura, me senti compelida a identificar os processos e mecanismos que deram origem a configurações econômicas notavelmente semelhantes em espécies, de outra forma, muito diferentes. A Revolução Agrícola dos humanos não parecia ser apenas uma questão de engenhosidade, intencionalidade, razão, instituições e cultura, uma vez que os insetos agrícolas haviam alcançado o mesmo marco, a mesma configuração e o mesmo “sucesso” milhões de anos antes dos humanos.

(…)

Ao pesquisar espécies agrícolas, busquei a biologia evolutiva, algo que os cientistas sociais progressistas geralmente evitam. A compreensão da ruptura da estrutura e da dinâmica da vida econômica humana pela agricultura é iluminada pela teoria da evolução – particularmente uma estrutura evolucionária ampliada que abrange a complexidade da evolução no que se refere à formação de grupos, a evolução da cooperação e a construção de nichos (Margulis, 1970 ; Okasha, 2006; Wilson & Wilson, 2007; Pigliucci & Muller, 2010; Jablonka & Lamb, 2014; Laland et al., 2015). Essa teoria evolucionária estendida permite que as análises ultrapassem os limites estreitos dos genes e da seleção de parentesco. John Gowdy e eu argumentamos que o uso da biologia populacional e da teoria evolutiva para entender as sociedades pode ajudar a explicar a formação do coletivo econômico como uma força e unidade de seleção em evolução (Gowdy & Krall, 2013, 2014, 2016).

(…)

A dinâmica de expansão e produção excedente, a profunda interdependência material e a relação alienada com o mundo não-humano permanecem conosco na forma contemporânea de capitalismo global e suas tecnologias, ideologias e instituições concomitantes. Pior para nós e para a Terra. Dez mil anos com este sistema agrícola serviram apenas para realçar e cimentar certas tendências. Se quisermos parar o extermínio em massa do mundo não-humano e deixar possibilidades razoáveis para as futuras gerações de humanos, teremos que desmantelar este “superorganismo econômico”. Não é uma tarefa fácil, e a questão da eficácia da ação humana nessa frente obviamente é grande.””

“What if Everything You Learned About Human History Is Wrong?” [ On David Graeber & David Wengrow – The Dawn of Everything: A New History of Humanity, 2021]

“E se tudo o que você aprendeu sobre a história humana estiver errado?

Em The Dawn of Everything, o antropólogo David Graeber e o arqueólogo David Wengrow pretendem reescrever a história de nosso passado compartilhado – e futuro.

Por Jennifer Schuessler

31 de outubro de 2021

https: // www.nytimes.com/2021/10/31/arts/dawn-of-everything-graeber-wengrow.html

Os best-sellers de Big History de Harari, Diamond e outros têm suas diferenças. Mas eles se baseiam, argumentam Graeber e Wengrow, em uma narrativa semelhante de progresso linear (ou, dependendo do seu ponto de vista, declínio).

De acordo com essa história, nos primeiros 300.000 anos ou mais após o aparecimento do Homo sapiens, praticamente nada aconteceu. Em todos os lugares, as pessoas viviam em pequenos grupos igualitários de caçadores-coletores, até a repentina invenção da agricultura por volta de 9.000 a.C. deu origem a sociedades e estados sedentários baseados na desigualdade, hierarquia e burocracia.

Mas tudo isso, Graeber e Wengrow argumentam, está errado. Recentes descobertas arqueológicas, eles escrevem, mostram que os primeiros humanos, longe de serem autômatos movendo-se cegamente em uma etapa de bloqueio evolucionária em resposta a pressões materiais, conscientemente experimentaram com “um desfile de carnaval de formas políticas”.

(…)

“Somos todos projetos de autocriação coletiva”, escrevem eles. “E se, em vez de contar a história de como nossa sociedade caiu de algum estado idílico de igualdade, perguntarmos como viemos ficar presos em grilhões conceituais tão rígidos que não podemos mais imaginar a possibilidade de nos reinventarmos?”

(…)

The Dawn of Everything inclui discussões sobre sepultamentos principescos na Europa durante a idade do gelo, contrastes de atitudes em relação à escravidão entre as sociedades indígenas do norte da Califórnia e do noroeste do Pacífico, as implicações políticas da terra seca versus a agricultura no leito dos rios e a complexidade da pré-agricultura de assentamentos no Japão, entre muitos, muitos outros assuntos.

Mas a gama impressionante de referências levanta uma questão: quem está qualificado para julgar se isso é verdade?

(…)

James C. Scott, um eminente cientista político de Yale, cujo livro de 2017 Against the Grain: A Deep History of the Earliest States também variou vários campos para desafiar a narrativa padrão, disse que alguns dos argumentos de Graeber e Wengrow, como os seus, iriam inevitavelmente, ser “jogados fora” quando outros estudiosos se envolverem com eles.

Mas ele disse que os dois homens deram um “golpe fatal” à ideia já enfraquecida de que se estabelecer em estados agrícolas era o que os humanos “estavam esperando para fazer o tempo todo”.

Mas a parte mais impressionante de The Dawn of Everything, disse Scott, é um capítulo inicial sobre o que os autores chamam de “crítica indígena”. O Iluminismo europeu, eles argumentam, em vez de ser um presente de sabedoria concedido ao resto do mundo, surgiu de um diálogo com os povos indígenas do Novo Mundo, cujas avaliações incisivas das deficiências da sociedade europeia influenciaram as ideias emergentes de liberdade.” [Google Tradutor]

***

“What if Everything You Learned About Human History Is Wrong?

In “The Dawn of Everything,” the anthropologist David Graeber and the archaeologist David Wengrow aim to rewrite the story of our shared past — and future.

By Jennifer Schuessler

Oct. 31, 2021

https://www.nytimes.com/2021/10/31/arts/dawn-of-everything-graeber-wengrow.html

The Big History best-sellers by Harari, Diamond and others have their differences. But they rest, Graeber and Wengrow argue, on a similar narrative of linear progress (or, depending on your point of view, decline).

According to this story, for the first 300,000 years or so after Homo sapiens appeared, pretty much nothing happened. People everywhere lived in small, egalitarian hunter-gatherer groups, until the sudden invention of agriculture around 9,000 B.C. gave rise to sedentary societies and states based on inequality, hierarchy and bureaucracy.

But all of this, Graeber and Wengrow argue, is wrong. Recent archaeological discoveries, they write, show that early humans, far from being automatons blindly moving in evolutionary lock step in response to material pressures, self-consciously experimented with “a carnival parade of political forms.”

(…)

“We are all projects of collective self-creation,” they write. “What if, instead of telling the story about how our society fell from some idyllic state of equality, we ask how we came to be trapped in such tight conceptual shackles that we can no longer even imagine the possibility of reinventing ourselves?”

(…)

“The Dawn of Everything” includes discussions of princely burials in Europe during the ice age, contrasting attitudes toward slavery among the Indigenous societies of Northern California and the Pacific Northwest, the political implications of dry-land versus riverbed farming, and the complexity of preagricultural settlements in Japan, among many, many other subjects.

But the dazzling range of references raises a question: Who is qualified to judge whether it’s true?

(…)

James C. Scott, an eminent political scientist at Yale whose 2017 book “Against the Grain: A Deep History of the Earliest States” also ranged across fields to challenge the standard narrative, said some of Graeber and Wengrow’s arguments, like his own, would inevitably be “thrown out” as other scholars engaged with them.

But he said the two men had delivered a “fatal blow” to the already-weakened idea that settling down in agricultural states was what humans “had been waiting to do all along.”

But the most striking part of “The Dawn of Everything,” Scott said, is an early chapter on what the authors call the “Indigenous critique.” The European Enlightenment, they argue, rather than being a gift of wisdom bestowed on the rest of the world, grew out of a dialogue with Indigenous people of the New World, whose trenchant assessments of the shortcomings of European society influenced emerging ideas of freedom.”

“Extraverts and Conservatives are More Likely to Get COVID” By Glenn Geher [Darwin’s Subterranean World]

“Extraverts and Conservatives are More Likely to Get COVID

The pandemic is largely the result of our evolved social psychology.

Glenn Geher
Darwin’s Subterranean World

Posted May 15, 2021

https://www.psychologytoday.com/us/blog/darwins-subterranean-world/202105/extraverts-and-conservatives-are-more-likely-get-covid
 
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Personality Correlates of COVID-19 Infection Proclivity: Extraversion Kills

Vania Rolona, Glenn Geherb, Jennifer Linkb, Alexander Mackielb

Personality and Individual Differences

Available online 14 May 2021

https://doi.org/10.1016/j.paid.2021.110994

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“In light of the human behavioral element of COVID, my research team (a subset of The New Paltz Evolutionary Psychology Lab ) conducted a study to help us better understand the behavioral factors that underlie the spread of this virus—a virus that has turned all of our worlds upside down in so many ways.

Our study, recently published in the journal Personality and Individual Differences , explored various dispositional traits that might ultimately underlie whether people are prone toward getting the virus. The two main variables we focused on were extraversion and political conservatism.

(…)

An additional evolutionary perspective as to why and how extraversion might relate to COVID infection proclivity pertains the behavioral-system hijacking hypothesis (see Reiber et al., 2010). This idea, which is admittedly beyond the scope of our data, suggests that the coronavirus, which has known effects on the nervous system, may actually hijack behavior and temporarily make people relatively sociable so as to increase its spread across an increased number of human hosts.

(…)

Gollwitzer et al. (2020) found that people who live in relatively conservative areas (based on voting patterns) have been less likely to follow social-distancing guidelines relative to those living in areas where people are more likely to vote for liberal political candidates.

In light of this basic reasoning, we predicted that people who self-identify as conservative would be more likely to wind up becoming infected with the virus relative to those who self-identify as liberal.”

“Will science survive politics?” By Tom Chivers [UnHerd]

“Will science survive politics?

Whether something is politically convenient or not doesn’t affect whether it’s true

By Tom Chivers

May 11, 2021

https://unherd.com/2021/05/will-science-survive-politics/

(…)

No one really cares about creationists any more. Instead, the row is over whether Darwin – and his theory, or its implications – is racist, or sexist. And the people passionately defending him are often right-wingers, while his critics are on the Left.

The latest incarnation is a by-the-numbers fighting-the-culture-war piece in the Telegraph about a guide to “Applying a decolonial framework to teaching and research in ecology and evolution” published by some plant scientists in the University of Sheffield. In the guide, science lecturers are told to contextualise Darwin by making it clear how his worldview was shaped by colonialism and racism.

(…)

I also rather wish that the Sheffield academics had mentioned whether or not they think Darwin’s theory of natural selection is true or not. There’s an awful lot of talk about power imbalances, Eurocentric viewpoints, and the legacy of colonialism, and how science “cannot be objective and apolitical” – but regardless of whether or not Darwin was racist, was he right? Maybe that’s taken for granted.

(…)

The sad, forgotten creationists aside, most of us gladly accept that dragonflies’ wings and wombats’ toenails or whatever have evolved; that those ancestors which had versions of those organs more suited to their environment tended to have more offspring.

But when Darwin’s idea gets applied to behaviour, it becomes more controversial. The field of science that tries to do this is called sociobiology; it was controversial enough when it arose in the Seventies, pioneered by EO Wilson. It caused a furore – protesters poured water over Wilson’s head during a conference talk, chanting “Racist Wilson, you can’t hide, we charge you with genocide.” Wilson’s work was mainly about ants.

When Darwinian ideas are applied to the human brain, and human behaviour, it is called evolutionary psychology, and that is more controversial still.

Which, on the face of it, is strange. Evolutionary psychology is, at its heart, the idea that the brain (and therefore the mind, and human behaviour and psychology in general) is the product of evolution, just like every other animal organ. As Richard Dawkins wrote in the 2005 foreword to The Handbook of Evolutionary Psychology, that is so obviously true as to be almost not worth saying: “The central claim [of evolutionary psychology] is not an extraordinary one,” he wrote. “It amounts to the exceedingly modest claim that minds are on the same footing as bodies where Darwinian natural selection is concerned. Given that feet, livers, ears, wings, shells, eyes, crests, ligaments, antennae, hearts and feathers are shaped by natural selection … why on earth should the same not be true of brains[?]”

(…)

The idea that the mind is evolved goes back to Darwin himself, but it was Leda Cosmides and John Tooby, a wife-and-husband team of academics, who really developed the field in The Adapted Mind, a book of essays they edited in 1992.

(…)

Charles Darwin, the historical figure, is interesting to study, and it’s worth remembering that he was a man of his time. But Darwinism, the great insight of evolution by natural selection, is separate. It is true (or false) regardless of Darwin’s own views, and so are the many insights which have followed it. We can go back and forth over whether he was a racist, but the more interesting question is: was he right?”

“When Men Behave Badly” by Rob Henderson | A Review of When Men Behave Badly by David M. Buss

“When Men Behave Badly—A Review

written by Rob Henderson

Published on April 30, 2021

A review of When Men Behave Badly: The Hidden Roots of Sexual Deception, Harassment, and Assault by David M. Buss, Little, Brown Spark, 336 pages (April 2021)

https://quillette.com/2021/04/30/when-men-behave-badly-a-review/

(…)

These differences in reproductive biology have given rise to differences in sexual psychology that are comparable to sex differences in height, weight, and upper-body muscle mass. However, Buss is careful to note, such differences always carry the qualifier “on average.” Some women are taller than some men—but on average men are taller. Likewise, some women prefer to have more sex partners than some men—but on average men prefer more. These evolved differences are a key source of conflict.

One goal of the book is to highlight situations in which sexual conflict is diminished or amplified to prevent victimization and reduce harm.

(…)

Because of the increased risk women carry, they tend to be choosier about their partners. In contrast, men are less discerning. Studies of online dating, for example, find that most men find most women to be at least somewhat attractive. In contrast, women, on average, view 80 percent of men as below average in attractiveness. Another study found that on the dating app Tinder, men “liked” more than 60 percent of the female profiles they viewed, while women “liked” only 4.5 percent of male profiles.

(…)

Deception is often prevalent in the mating market. And deception involves an understanding of what the opposite sex desires. For instance, on dating websites, men exaggerate their income by roughly 20 percent on average and round up their height by about two inches. Similarly, women on dating websites round their weight down by about 15 pounds.

(…)

… as Buss stresses throughout the book, “adaptive” does not mean “morally good.” Often, cultures create moral norms to suppress certain behaviors that might be beneficial for the individual but bad for the community (e.g., stealing).

(…)

Throughout the book, Buss is careful to note that just because a behavior is adaptive or “natural” does not mean it is morally good or desirable. Diseases are “natural,” yet modern science has developed vaccines and medical procedures to eliminate these ailments. Likewise, people can implement personal, social, and legal instruments to curtail the darker facets of male psychology.

(…)

What kind of men? As mentioned above, Dark Triad traits predict sexual aggression. Perhaps more surprisingly, research indicates that high-status men are particularly likely to commit sexual assault. Buss writes, “men with money, status, popularity, and power are more likely to be sexual predators.” These results parallel the disconcerting finding that men who use sexual coercion have more partners than men who do not. A popular idea is that men who are desperate or deprived of chances for sex will be more likely to use coercion. This is known as the “mate deprivation hypothesis.” However, studies suggest the opposite is the case. Men who have more partners report higher levels of sexual aggression compared to men with fewer partners. Furthermore, men who predict that their future earnings will be high also report greater levels of sexual aggression relative to men who predict that their future earnings will be low.”

“Evolutionary Mismatch, Partisan Politics, and Climate Change: A Tragedy in Three Acts” By Helen Camakaris [This View of Life]

“Evolutionary Mismatch, Partisan Politics, and Climate Change: A Tragedy in Three Acts

By Helen Camakaris
Helen gained her Ph.D. in 1975 and worked as a Senior Research Scientist in the Department of Microbiology and Immunology at the University of Melbourne, Australia. She studied the regulation of gene expression in bacteria and archaebacteria, which aligned with her interest in evolution. She retired in 2008 to pursue her interest in the nexus between evolutionary psychology, sustainability, and climate change, and has been studying and publishing articles in this area for the past ten years. Her articles have appeared in Meanjin Quarterly, The Conversation, Cosmos Magazine, New Internationalist, and Kosmos Magazine, and can be found online under Notes on her Facebook Page.
Twitter: @helenmcama
Facebook Page: ‘The Climate Conundrum, with Helen Camakaris’ at https://www.facebook.com/h.camakaris/

This View of Life

https://thisviewoflife.com/evolutionary-mismatch-partisan-politics-and-climate-change-a-tragedy-in-three-acts/

(…)

During the Pleistocene, our brains were upgraded by changes that enabled our ancestors to leave more descendants, largely as a result of expansion in the cerebral neo-cortex. Evolution is glacially slow and our rise is recent, so our psychology suffers from evolutionary ‘mismatch,’5 whereby the shadows of the past still influence our behavior.6

(…)

Like biological evolution, cultural evolution builds upon whatever has preceded it and is also subject to a form of ‘natural selection,’8 whereby some ‘memes’ or ideas persist and spread.9 Cultural evolution and natural selection acted together as a ratchet, culminating in vastly increased intelligence and creativity.5

Altruism too, was a product of natural selection involving language and social intelligence, its selection enhanced by multilevel selection, with competition at the level of groups or tribes.10 Altruism, however, is generally circumscribed by an obsession with ‘fairness’ and discrimination between ‘them’ and ‘us’, presenting problems when we must plan for the distant future, or cooperate beyond the local tribe.

So although we may now be extraordinarily intelligent, we are not always rational, simply as a result of our evolutionary journey.11 Our decision-making often involves emotional reasoning, using ‘gut instinct’, which we then justify by rational thought.12 Our cognition is also subject to a myriad of biases affecting our judgment.13 For example, we tend to discount the future, follow our in-group, and collect evidence to justify our pre-existing opinions. We are further limited by our poor comprehension of large numbers and exponential growth, as became obvious during the COVID-19 pandemic.

Perhaps counter-intuitively, even intelligence has been a double-edged sword, promoting the transition from hunter-gatherer to improviser, and the ‘progress’ that followed. Technological advances like agriculture around 10,000 years ago made surpluses possible; people began to live in towns and cities, to specialize, trade with other groups, and have larger families. Whilst this satisfied the evolutionary imperative of increasing population, it heralded poorer diets, more disease, and greater social stratification.”

“Can the brain resist the group opinion?” [Medical Xpress]

“Can the brain resist the group opinion?

by National Research University Higher School of Economics

https://medicalxpress.com/news/2021-02-brain-resist-group-opinion.html

Scientists at HSE University have learned that disagreeing with the opinion of other people leaves a ‘trace’ in brain activity, which allows the brain to later adjust its opinion in favor of the majority-held point of view. The article was published in Scientific Reports.

We often change our beliefs under the influence of others. This social behavior is called conformity and explains various components of our behavior, from voting at elections to fashion trends among teenagers.

Brain research has recently been well informed about short-term effects of social influence on decision making. If our choice coincides with the point of view of the people who are important to us, this decision is reinforced in the brain’s pleasure centers involved in the larger dopaminergic system responsible for learning, motor activity and many other functions. Conversely, in instances of disagreement with others, the brain signals that a ‘mistake’ has been made and triggers conformity.

(…)

Thus, the opinions of others not only influence our behavior, but also cause long-term changes in the way our brains work. Apparently, the brain not only quickly adjusts to the opinions of others, but also begins to perceive information through the eyes of the majority in order to avoid social conflicts in the future.

“Our study shows the dramatic influence of others’s opinion on how we perceive information,” says HSE University Professor Vasily Klucharev, one of the authors of the study. “We live in social groups and automatically adjust our opinions to that of the majority, and the opinion of our peers can change the way our brain processes information for a relatively long time.”

“It was very interesting to use modern methods of neuro-mapping and to see traces of past conflicts with the opinion of the group in the brain’s activity,” adds Aleksei Gorin, a Ph.D. student at HSE University. “The brain absorbs the opinion of others like a sponge and adjusts its functions to the opinion of its social group.”

***

MEG signatures of long-term effects of agreement and disagreement with the majority

A. Gorin, V. Klucharev, A. Ossadtchi, I. Zubarev, V. Moiseeva & A. Shestakova

Scientific Reports volume 11, Article number: 3297 (2021)

Published: 08 February 2021

https://www.nature.com/articles/s41598-021-82670-x

Abstract

People often change their beliefs by succumbing to an opinion of others. Such changes are often referred to as effects of social influence. While some previous studies have focused on the reinforcement learning mechanisms of social influence or on its internalization, others have reported evidence of changes in sensory processing evoked by social influence of peer groups. In this study, we used magnetoencephalographic (MEG) source imaging to further investigate the long-term effects of agreement and disagreement with the peer group. The study was composed of two sessions. During the first session, participants rated the trustworthiness of faces and subsequently learned group rating of each face. In the first session, a neural marker of an immediate mismatch between individual and group opinions was found in the posterior cingulate cortex, an area involved in conflict-monitoring and reinforcement learning. To identify the neural correlates of the long-lasting effect of the group opinion, we analysed MEG activity while participants rated faces during the second session. We found MEG traces of past disagreement or agreement with the peers at the parietal cortices 230 ms after the face onset. The neural activity of the superior parietal lobule, intraparietal sulcus, and precuneus was significantly stronger when the participant’s rating had previously differed from the ratings of the peers. The early MEG correlates of disagreement with the majority were followed by activity in the orbitofrontal cortex 320 ms after the face onset. Altogether, the results reveal the temporal dynamics of the neural mechanism of long-term effects of disagreement with the peer group: early signatures of modified face processing were followed by later markers of long-term social influence on the valuation process at the ventromedial prefrontal cortex.”

“Learning from Evolution about Free Speech” By David Sloan Wilson [This View Of Life]

“Learning from Evolution about Free Speech

By David Sloan Wilson

January 11, 2021

https://thisviewoflife.com/learning-from-evolution-about-free-speech/

(…)

The world is in turmoil over the incendiary language of a US president, the invasion of the US Capitol Building incited by his speech, and the silencing of the president by giant tech firms. Commentators fall back on the US Constitution, especially the First Amendment, to make sense of it all—as if the wisdom of the founders could somehow anticipate the Internet Age. To truly make sense of it all, we need to go back—way back—to the genetic evolution of our species at the scale of small groups.  

Humans are masters of social regulation at the scale of small groups. Alexis d’Toqueville, the acute observer of American democracy in the 1830’s, got it right when he wrote that “the village or township is the only association which is so perfectly natural that wherever a number of men are collected it seems to constitute itself.”

Toqueville’s use of the word “natural” was more apropos than he could have known, writing decades before Darwin’s theory of evolution. Today we know that our ability to cooperate in small groups is a product of genetic evolution. Even though we share 99% of our genes with chimpanzees, there is a night-and-day difference in our cooperativeness. According to Harvard anthropologist Richard Wrangham in his book The Goodness Paradox (1), naked aggression is over 100 times more frequent in a chimpanzee community than a small-scale human community. Even cooperation in chimpanzees typically takes the form of small alliances competing against other alliances within a given community. The main form of community-wide cooperation is aggression toward other communities.

(…)

Likewise, small-scale human societies are not just communitarian but also stubbornly individualistic. Since the great danger is to be pushed around, all members assert their right as a moral equal so that decision-making becomes a collective enterprise. These seemingly contradictory strands, compulsory and voluntary, collective and individualistic, are woven together to form a strong braid.

(…)

So much for the big evolutionary picture that was beyond Tocqueville’s imagination. How does it bear upon the urgent questions of our day, such as the incendiary speech of a US president and the decision of major tech companies to deny him a forum? Let’s shrink these problems down to see what they look like at the scale of a small group. As we have seen, there is a necessity for everyone to have a say in matters of collective importance. This is the necessity that is recognized by the First Amendment of the US Constitution. There is also the necessity to suppress bullying and other behaviors that can disrupt the common good. It all depends on the context. In small and well-regulated human groups, it is relatively easy to recognize the context and apply the appropriate rules.

Not only was this true for small groups in the distant past and the small-scale societies of today, but examples abound in modern WEIRD (Western, Educated, Industrial, Rich, and Democratic) societies (6). Consider the norms of scholarship and science, where adhering to the facts of the matter is a cardinal virtue. The formation and testing of alternative hypotheses is a form of unrestricted free speech, failure to cite or misrepresenting relevant material is rigorously policed, and willfully falsifying data results in immediate exclusion. These norms are as strong as those of the strongest religions. Similar examples could be cited for other modern contexts where truth-telling is important, such as responsible journalism and judicial procedures. When witnesses at a trial swear to “tell the truth, the whole truth, and nothing but the truth…” they legally bind themselves to that commitment.

(…)

The second major factor is that evolutionary theory, which was beyond the imagination of Tocqueville, is still a new perspective in discussions of social theory, economics and law. The title of my book This View of Life: Completing the Darwinian Revolution, signifies that the conceptual unification that has taken place in the biological sciences (and of course continues), is only now taking place in the human-related sciences. In my long career, I have observed that the “evolutionizing” of human-related disciplines such as psychology, anthropology, religion, economics, business, and law takes place at different rates based on idiosyncratic factors.

Economics and business are late bloomers and law even more so. One of the few legal scholars who thinks about free speech and the Internet from an evolutionary perspective is Julie Seaman, Associate Professor at Emory University’s School of Law. An open-access article that we coauthored titled #FreeSpeech makes a start at evolutionizing the concept of free speech, in general, and in the Internet Age. This conversation needs to expand and be put into action rapidly, to keep pace with the rate of cultural evolution in the Internet Age. Otherwise, only social dysfunction can result.”

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#FreeSpeech

Arizona State Law Journal, Vol. 48, No. 4, 2017

Emory Legal Studies Research Paper No. 17-439

30 Pages

Posted: 14 Apr 2017

https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2951909

Julie Seaman
Emory University School of Law

David Wilson
Binghamton University

Date Written: April 12, 2017

Abstract

It has become commonplace to note that courts have struggled with the challenge of applying analog legal concepts to digital spaces, and nowhere is this truer than in the context of the First Amendment. Here, we focus on a very specific aspect of the Internet and social media revolution – the impact on human behavior of this distinct medium of communication – to consider whether the online context of a communication can be expected to affect the behavior either of the speaker or the audience in ways that might be relevant to First Amendment theory and doctrine.

With the emergence of the field of cyberpsychology over the past decade, the complex universe of the online social brain has begun to reveal itself. While much of this space is thus far only roughly mapped and much else is yet to be discovered, there are a number of preliminary findings that have implications for thinking about freedom of speech on the Internet. The nature and effects of disinhibition online, the effect of online social communication on memory and belief about facts and events in the physical world, and the drivers of antisocial behaviors such as flaming, shaming, and trolling – to name just a few – are all fertile ground for analysis and further research as they relate to First Amendment theory, doctrine, and values.

This initial foray into the treacherous terrain at the crossroads of the First Amendment, social media, and human behavior also draws on the evolutionary science of group dynamics and cooperation, which has much to say about how individuals behave within groups, how groups behave with respect to other groups, and the features that can make some groups successful, constructive, egalitarian, and prosocial while others are destructive, hierarchical, violent, and antisocial. It explores the implications of these ideas as they relate to groups that operate in cyberspace.

Keywords: First Amendment, Cyberspeech, Cyberpsychology, Internet Speech”

Joseph Henrich and Michael Muthukrishna – “The Origins and Psychology of Human Cooperation”. Annual Review of Psychology, 2021

“The Origins and Psychology of Human Cooperation

Annual Review of Psychology

Vol. 72:207-240 (Volume publication date January 2021)

First published as a Review in Advance on October 2, 2020

https://doi.org/10.1146/annurev-psych-081920-042106

Joseph Henrich (1) and Michael Muthukrishna (2)

(1) Department of Human Evolutionary Biology, Harvard University, Cambridge, Massachusetts 02138, USA; email: henrich@fas.harvard.edu

(2) Department of Psychological and Behavioural Science, London School of Economics and Political Science, London WC2A 2AE, United Kingdom; email: m.muthukrishna@lse.ac.uk

PDF:

https://henrich.fas.harvard.edu/files/henrich/files/henrich_and_muthukrishna_the_origins_and_psychology_of_human_cooperation_final.pdf

Abstract

Humans are an ultrasocial species. This sociality, however, cannot be fully explained by the canonical approaches found in evolutionary biology, psychology, or economics. Understanding our unique social psychology requires accounting not only for the breadth and intensity of human cooperation but also for the variation found across societies, over history, and among behavioral domains. Here, we introduce an expanded evolutionary approach that considers how genetic and cultural evolution, and their interaction, may have shaped both the reliably developing features of our minds and the well-documented differences in cultural psychologies around the globe. We review the major evolutionary mechanisms that have been proposed to explain human cooperation, including kinship, reciprocity, reputation, signaling, and punishment; we discuss key culture–gene coevolutionary hypotheses, such as those surrounding self-domestication and norm psychology; and we consider the role of religions and marriage systems. Empirically, we synthesize experimental and observational evidence from studies of children and adults from diverse societies with research among nonhuman primates.

Keywords
cooperation, ultrasociality, evolutionary psychology, cultural evolution, culture-gene coevolution, social behavior”

“This is your brain on political arguments” By Derek Beres [Big Think]

“This is your brain on political arguments

Debating is cognitively taxing but also important for the health of a democracy—provided it’s face-to-face.

DEREK BERES

18 January, 2021

https://bigthink.com/mind-brain/your-brain-on-arguing

– New research at Yale identifies the brain regions that are affected when you’re in disagreeable conversations.

– Talking with someone you agree with harmonizes brain regions and is less energetically taxing.

– The research involves face-to-face dialogues, not conversations on social media.

You probably know the feeling: a rush of heat that assaults your entire body; your fingertips and forehead suffering fiery consequences of conflict; restrictions around your chest and throat; quickened breath, as if your lungs can no longer draw in the required oxygen; ears on alert, biding time for a break in your opponent’s rhetoric to let loose the torrent of thoughts crowding your brain.

Of course, not everyone is an opponent. You likely know the opposite as well: the cool excitement of agreeableness, when the words in your head are returned to you from another being as in a mirror; unconscious head shaking as your sense of righteousness is validated; the warm exuberance of easy dialogue with a fellow tribe member.

In a digital age in which physical contact seems foreign and long past, we might have forgotten what it’s like to agree—or debate—with someone in person. Pandemics are temporary, while societies are—well, nothing is forever, but we’ve outlived diseases before. According to new research from Yale University, published in Frontiers in Human Neuroscience, disagreeing with someone takes up a lot of brain real estate, while finding a compatriot is a much less cognitively taxing endeavor.

(…)

Senior author Joy Hirsch notes that our brain is essentially a social processing network. The evolutionary success of humans is thanks to our ability to coordinate. Dissonance is exhausting. Overall, she says, “it just takes a lot more brain real estate to disagree than to agree,” comparing arguments to a symphony orchestra playing different music.

As the team notes, language, visual, and social systems are all dynamically intertwined inside of our brain. For most of history, yelling at one another in comment sections was impossible. Arguments had to occur the old-fashioned way: while staring at the source of your discontent.

(…)

Leading us to an interesting question: do the same brain regions fire when you’re screaming with your fingers on your Facebook feed? Given the lack of visual feedback from the person on the other side of the argument, likely not—as it is unlikely that many people would argue in the same manner when face-to-face with a person on the other side of a debate. We are generally more civil in real life than on a screen.”

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“Frontiers in Human Neuroscience

13 January 2021

https://doi.org/10.3389/fnhum.2020.606397

Interpersonal Agreement and Disagreement During Face-to-Face Dialogue: An fNIRS Investigation

Joy Hirsch 1,2,3,4,5*, Mark Tiede 1,4, Xian Zhang 1, J. Adam Noah 1, Alexandre Salama-Manteau 1 and Maurice Biriotti 6

1 Brain Function Laboratory, Department of Psychiatry, Yale School of Medicine, New Haven, CT, United States
2 Department of Neuroscience, Yale School of Medicine, New Haven, CT, United States
3 Department of Comparative Medicine, Yale School of Medicine, New Haven, CT, United States
4 Haskins Laboratories, New Haven, CT, United States
5 Department of Medical Physics and Biomedical Engineering, University College London, London, United Kingdom
6 Faculty of Arts and Humanities, University College London, London, United Kingdom

Although the neural systems that underlie spoken language are well-known, how they adapt to evolving social cues during natural conversations remains an unanswered question. In this work we investigate the neural correlates of face-to-face conversations between two individuals using functional near infrared spectroscopy (fNIRS) and acoustical analyses of concurrent audio recordings. Nineteen pairs of healthy adults engaged in live discussions on two controversial topics where their opinions were either in agreement or disagreement. Participants were matched according to their a priori opinions on these topics as assessed by questionnaire. Acoustic measures of the recorded speech including the fundamental frequency range, median fundamental frequency, syllable rate, and acoustic energy were elevated during disagreement relative to agreement. Consistent with both the a priori opinion ratings and the acoustic findings, neural activity associated with long-range functional networks, rather than the canonical language areas, was also differentiated by the two conditions. Specifically, the frontoparietal system including bilateral dorsolateral prefrontal cortex, left supramarginal gyrus, angular gyrus, and superior temporal gyrus showed increased activity while talking during disagreement. In contrast, talking during agreement was characterized by increased activity in a social and attention network including right supramarginal gyrus, bilateral frontal eye-fields, and left frontopolar regions. Further, these social and visual attention networks were more synchronous across brains during agreement than disagreement. Rather than localized modulation of the canonical language system, these findings are most consistent with a model of distributed and adaptive language-related processes including cross-brain neural coupling that serves dynamic verbal exchanges.”